quinta-feira, 16 de abril de 2020

Vítimas do COVID-19

O autor - Crédito: Maurício M. Cunha



Desprezo pelas vítimas



O que está ocorrendo?
Estamos perdendo o amor pelo semelhante?
A morte alheia é apenas um número de estatística?
Vivenciamos terrível pandemia que diariamente leva muitos à morte. No entanto, algumas pessoas desdenham por entenderem que é um exagero desnecessário. Ou numa única palavra: Histeria. E o pior numerosos consideram a perda do outro um divertimento, tal qual os cristãos sendo massacrados pelas feras no Coliseu (Roma Antiga) e o César com a multidão considerando um espetáculo. Nas redes sociais os memes se multiplicam. Exemplo, o “meme do caixão”, filmado pela BBC, 2017, na realidade é um serviço funerário comum na República do Gana, onde seis homens pallbeares (portadores de caixão) dançam ao som de uma música eletrônica e conduzem um caixão. Em certas situações é bem hilário, mas nem sempre cabe quando ultrapassa limites pressagiando fenecimentos.
A morte estabeleceu nova modalidade. O luto não é mais importante. Neste aspecto até que deveria ser extinto, pois é um sentimento de tristeza, saudade e depressão. Todavia, o que se percebe atualmente é um distanciamento da comoção de muitos que estão indiferentes aos entes queridos alheios. Os interesses materiais está acima dos corpos incógnitos enrijecidos sem alento.
Quando olhamos para trás ficamos estarrecidos com a barbaridade de civilizações antigas que assassinavam por motivos torpes. Doenças dizimavam e os cadáveres eram deixados aos abutres. E agora podemos julgá-los? No Equador familiares estão abandonando corpos, vítimas de coronavírus, nas calçadas, pois não há mais vagas nos cemitérios.
Persevera um vírus (mortal) que aniquila vidas e por desafeição simplesmente coloca-se num quadro a fim de comparar com diversas mortes com índices elevados. Ou seja, para que se preocupar com o coronavírus, têm maiores taxas de mortes. Doenças cardíacas, renais, gripes, Alzheimer, cirrose, trânsito, diabetes, etc. Matam muito mais do que o COVID-19. É essa a justificativa para desprezar uma pandemia que arrasta muitos corpos para a sepultura? Além disso, esses óbitos mencionados se estabelecem num período dilatado, enquanto os óbitos por coronavírus é muito rápido.
Morte não se compara, morte é uma reflexão do quanto somos frágeis. O que causa mais estranheza e a insensibilidade dos que acreditam em Deus. E segundo escritos bíblicos Deus é vida. No livro de Gênesis, Deus é revelado como Criador. E no último livro da Bíblia encontramos: “E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e NÃO HAVERÁ MAIS MORTE, NEM HAVERÁ MAIS PRANTO, NEM LAMENTO, NEM DOR; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Apocalipse 21:3-4).
Então… Como acreditar em Deus e considerar as mortes de milhares de pessoas vítimas do COVID-19, uma banalidade? Talvez por não ser cristão e não seguir nenhuma religião estou errado? Ou quando o COVID-19 começar a suplantar em número de mortes todas as demais doenças, aí sim! Chegou o tempo de se preocupar. É esse o caminho que deve ser direcionado?
Fazendo uso Bíblia, essa é a minha resposta: “PORQUE NÃO TOMO PRAZER NA MORTE DO QUE MORRE, diz o senhor Deus; convertei-vos, pois, e vivei." (Ezequiel 18:32).

Maurício Matos Cunha

16/04/2020




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