segunda-feira, 6 de abril de 2020

SÓ ASSIM QUE APRENDEMOS

O autor - Crédito: Maurício M. Cunha 

SÓ ASSIM QUE APRENDEMOS


Há um velho ditado que diz: Quando não se aprende no amor, se aprende na dor. Este dito popular ganhou robustez nestes tempos de pandemia, quando os esquecidos foram lembrados pelo Poder Público e a Sociedade. Olvidados que categorizam duas classes distintas e diretamente entrelaçadas à Saúde e Economia.
O primeiro se refere aos cidadãos com mais de sessenta anos ou até menos considerando seu estado de saúde. Pessoas que as políticas públicas e privadas pouco concederam importância no decorrer dos últimos anos em relação ao seu crescimento populacional. Medidas públicas que seguiram aquém na concessão de Qualidade de Vida. Entre tantos aludo, dois exemplos de descasos:
1 - Setores econômicos que atentam para produtos com informações nas embalagens com letras miúdas, ademais até os mais jovens encontram dificuldades para interpretar. 2 - Os planos de saúde que aumentam assustadoramente os valores com o tempo de existência. Ou seja, maior a idade, maiores os preços cobrados.
A segunda classe enquadram os TRABALHADORES INFORMAIS, conhecidos popularmente como “camelôs”, os quais representam na economia, 40,8% (IBGE, 2017) e continuam crescendo. Antes do COVID-19 alcançar dimensionamento no Brasil, a maior parcela, nem sequer era lembrado pelas autoridades competentes. Nesta faixa predominam a baixa escolaridade e instruções, refletindo poucas hipóteses de inserção no mercado profissional formal. As maiorias sem amparo legal de aposentadoria, saúde e recursos no enfrentamento da atual eclosão epidêmica. Esclarecendo que os camelôs não se resumem meramente aos vendedores com barraquinhas nas calçadas, muitos não se fixam em lugar algum, até ultrapassam fronteiras.
A primeira medida deu-se aos IDOSOS, cerca 30 milhões, (IBGE, 2017), no sentido de isolá-los da sociedade. No entanto, não se firmou como uma resposta definitiva. Grande parte dos idosos residem com suas famílias e muitos são provedores. Determinados aposentados ao seu modo interpreta que não faz sentido um forçado confinamento. Pode até parecer uma analogia irresponsável com o intuito de dar créditos ao direito de ir e vir dos idosos numa atmosfera sujeito a perigosa infecção. O que está em reflexão é o antes, o presente e o futuro. Assim, não mais que no contexto atual querem salvar todos os idosos no desespero. Embora, pensamentos insensíveis desejam que encontrem Tânatos, de modo a salvar a economia, ou melhor, o capitalismo.
E os CAMELÔS? Desassistidos por anos e anos sobrevivem a própria sorte. A maioria sustenta milhões de dependentes. Camada considerada praga da economia, uma vez que não se consegue descontá-los cobranças diretas de tributos e taxas. Assim não pagam impostos. Competem deslealmente com o comércio formal. Parte dos seus produtos não possuem certificação oficial de aquisição, etc., entretanto, conseguem vender produtos de acordo com a necessidade do momento com preços mais em conta. Também, não se concretiza nesta análise que é um comércio 100% legal. A proposta deste exame está vinculada à marginalidade viva na matéria escura do limbo capitalista. Portanto, somente, com o COVID-19 que entenderam que compõem uma gigantesca engrenagem na economia brasileira. E que agora estão apartados do trabalho informal por uma desafiadora pandemia.
No momento todas as medidas públicas e privadas são imediatistas, decorrentes da extrema necessidade de salvar vidas, pois o mundo está em tempo de Guerra. Logo não espaço para burocracias emaranhadas, ações retardadas, avançar no sentido riscoso adotando achismos pessoais ou de outros que encharcam os crédulos com pressuposições incongruentes de ocasião.
Atenta-se que o COVID-19, em certo momento deixará de ser grande ameaça para a humanidade tal como as constipações anteriores: Gripe Russa, 110 milhões de mortos (1889-1890); Gripe Espanhola, 100 milhões (1918-1919); Gripe Asiática, 2 milhões (1957-1958); Gripe Hong Kong, 3 milhões (1968-1969); Gripe Suína, 17 mil (2009-2010), etc. Em todas essas situações, seguindo Fênix, a economia sempre renasce. Enquanto os viajantes sem retorno que foram ao encontro de Hela, muitos sem despedidas, de modo infeliz ficarão na lembrança dos seus entes que sobreviveram. Após, cruciantes lições do bioma “agredidopelas ações antropomórficas o que serviu de aprendizado?
Pendências de amparo continuaram, tanto para os idosos, camelôs, pobres e desempregados.
No decorrer crescente demográfico dos anciões e camelôs, porque antes da grave pandemia do coronavírus, não eram observados com dignidade?
Como será o amanhã (pós coronavírus) para os IDOSOS e TRABALHADORES INFORMAIS (desempregados)?
Serão colocados à parte como era antes da pandemia?
Ou continuarão no interesse de novas readaptações?
Independente dos inúmeros resultados das propostas citadas e diversas que subsistem, o que se pode refletir é olhar com diligência às classes fragilizadas. Uma lição que jamais deve ser apagada das páginas da História. Os erros do passado devem ser indicativos como advertência. Pois, que, consecutivamente devemos, TODOS, num só sentido tomar decisões assertivas nos tempos de TRANQUILIDADE.


Maurício Matos Cunha


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