![]() |
| Imagem ilustrativa |
A poetiza, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, CORA CORALINA, (1889 - 1985) Conservava um carinho e respeito especial pelas meretrizes. Ela na sua meiga simplicidade compreendia que as prostitutas viviam num mundo artificializado e carregavam silenciosas tristezas em suas almas. Tanto que compôs dois notáveis poemas:Todas as vidas e Mulher da Vida.
Gratidão das perdidas (Maurício Matos Cunha) é a "voz" de agradecimento de uma prostituta, que representa essas mulheres a margem, os quais vendem seus corpos para dar prazeres alheios, no entanto, na maioria desses casos são meios de sobrevivência.
Gratidão
das perdidas
Nossa "irmãzinha" era verdadeira:
Nunca
residimos na mesma casa.
Jamais
conversamos frente a frente.
Sua
senda não foi o viés da prostituição,
ainda
assim, demostrava-nos respeito.
Sabia
o quanto éramos bem carente.
Seus
pensamentos solidificados em palavras¹
eram
lenitivos que nos confortava,
em
nossas tristes incertezas no meretrício,
com
tipos de homens desconhecidos.
Entendia
que temos destinos de Lucíola²,
carentes
de amor inteiro e verdadeiro.
Tratadas
como objeto do agrado alheio.
Vivia
na mais completa simplicidade,
no
seu lar, querida cidade de Goiás.
Enquanto,
estamos perdidas nas cidades,
vivendo
carregadas de vãs festividades.
Possuía
uma exclusiva alcunha,
diferentes
dos nossos postiços nomes:
Natasha’s,
Michele’s, Rebeca’s, Kelly’s,….
Jamais
foi dama vadia da rua,
todavia,
entendia nossas árduas vidas.
Em
suma, os seus preciosos versos
eram
alentos que cobrem nossas feridas
e
estarão sempre dentro de muitos corações.
Obrigado
(minha irmã)³
Cora
Carolina.
Maurício
Matos Cunha
¹
– (7º verso) - referência, poema: Todas
as Vidas –
Cora
Coralina – “[…] Vive dentro de mim/a mulher da vida/[…]”
²
– (11º verso) - referência, romance: Lucíola – José de Alencar
– Prostituta e protagonista: “Lucíola”.
³
– (Último
verso) - referência, poema: Mulher da vida
– Cora
Coralina – “Mulher da vida/Minha irmã/[…]”

Nenhum comentário:
Postar um comentário