Subir para contemplar
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| Pico da Tijuca - Cidade do Rio de Janeiro - Fotografia: Xande Durso, agosto de 2015. |
Primeira vez que
conhecia a Floresta da Tijuca. Ainda
estava na Praça do “Alto”.
Deslumbrei-me com a
vegetação natural ao redor do Largo numa cidade urbana.
Éramos acadêmicos de GEOGRAFIA
com seus respectivos convidados.
Aquele local era o
basilar encontro. Aos poucos todo grupo se formou.
“Vamos!” Primeira
subida. Apertaram-se nos carros. Partiram... Fiquei para trás.
O motivo? Estava à
procura de Jana (minha filha) e o
simpático peruano Jilder.
Um gênio ou “louco”? Está
no Brasil laborando seu doutorado de Física. Nossa?!
Encontrei-os sentados
na beira do riacho em frente do portal da Floresta da Tijuca.
Também levei três
passageiros. Na entrada o guarda anotou a placa do meu carro.
Na subida avistamos um
casal de quatis. Aliás, únicos animais que assistimos.
Quase passei do segundo
ponto de encontro. Xande me fez
parar: “E aqui Maurício”!
Uma colega de Geografia
(Val Gomes) na hora me cognominou de
“Barrichello”.
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| Cascatinha - Fotografia: Xande Durso - 16/08/2015. |
Todos juntos, fotos
diante da Cascatinha. Muito lindo apreciar o véu d’água.
Reiniciamos a segunda
etapa da subida no asfalto com nossos carros.
Na estrada um guarda
local orientou para estacionarmos na margem.
A poucos metros acima o
largo de estacionamento de automóveis que estava lotado.
Fotografias,
assinaturas oficial de presença dos alunos de GEOGRAFIA.
Breve discurso do Xande orientando sobre a trilha que nos
esperava.
Deu-se inicio a ansiosa
subida a pé em direção ao Pico da Tijuca.
A trilha íngreme adentrava
na mata. O frescor da natureza era purificador
Rafael
Leal
nos alertou: “Cuidado!” “Tenham máxima atenção com as raízes”.
Imaginei: raízes tal quais tentáculos de um polvo assassino
saindo da terra.
Apêndices
móveis entrelaçando em nossos pés e nós arrastando para o solo...
Mas, Rafael “apagou” minha fantasia
explicando que eram apenas os tropeços.
Fomos ziguezagueando na
trilha... Alguns apressados passavam por nós.
Por que tanta pressa
num ambiente selvático? Paragem que promove meditação:
Belas árvores e plantas
nativas, algumas exóticas. Despertam interesse e admiração.
Flashes
na folhagem exibem nacos da Cidade. Tão quieta do alto, mas agitada no chão.
A cada parada clamava
em tom de brincadeira: “Chegou”!? “Chegou”!?...
“Ainda
não!” - alguém respondia. Íamos subindo... Outros
descendo...
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| Nosso grupo subindo na trilha em direção ao Pico da Tijuca - Fotografia: Xande Durso - 16/08/15 |
Que trânsito? Parecíamos saúvas indo e vindo
ao mesmo carreiro.
As formigas se trombam
levemente. Nós com palavras de cumprimentos.
Pessoas que nunca se
assistiram. Algumas do Rio. Outras de terras distantes.
A magia do lugar criava
este ambiente. Afinal todos estavam no mesmo propósito.
Num clarão da mata os
sinais dos celulares vivificaram, todavia foi rápido.
Naquela altura era
possível admirar os dois maiores estádios de futebol do Rio,
Maracanã e Engenhão.
Iludindo-nos que eram bem próximos numa linha reta.
A Cidade era vista por
todos os presentes por uma perspectiva extraordinária.
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| Base do pináculo do Pico - Na foto o autor (centro) com colegas da Geografia.- Fotografia Xande Durso (primeiro a esquerda) - 16/08/2015. - |
Enfim chegamos ao
Costão do Maciço. Colossal pedra de milhões de anos.
Um genuíno gnaisse.
Êxtase para geógrafos e até mesmo pessoas de outras áreas.
Assemelhar-se a um
dente forte, estável, sem cárie,... Numa gengiva saudável.
Todos tocaram na rocha.
Xande gracejou que dava sorte. Que
tipo de ventura?
Fotos enquanto nossas
mãos apalpavam a antiga concepção metamórfica.
Prosseguimos... Adiante
uma mina d’água cruzava o caminho. Local empapado.
Aflorando uma rocha
muito molhada. Na base argila umedecida, escorregadia...
Felizmente ninguém caiu
sobre a pedra ou na lama. Somente uns pares de tênis sujos.
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| Escada de acesso ao cume - Fotografia Xande Durso - 16/08/15 |
Não muito andando na
trilha atingimos à escada... Último “portal” antes do cume.
Naquele local recebemos
um aperitivo. A linda vista da ampla e variada área urbana.
Aguardamos os
visitadores que chegou antes, descer a escada.
Engarrafamento...
Degraus artificiais que
foram esculpidos na primeira metade do século passado.
Todos talhados sem
argamassa na rocha virgem. Úteis para quem não é alpinista.
Correntes de ferro
encontram-se na pedra. “Serviam” como corrimão de Segurança.
Os suportes também
estão caídos. Tudo oxidado... Porque não
são substituídos?
Assim as escadas se
revelam atraentes e ao mesmo tempo perigosas naquela altura.
De tal modo que muitos
desistem de atingir o estremo vértice da Floresta da Tijuca.
Triste decepção chegar
tão perto e ser vencido por uma escada sem qualquer proteção.
Iniciamos nossos
passos... Degrau sobre degraus que impõem coragem e precaução.
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| Vista do Pico da Tijuca - Em primeiro plano: Pico Mirim - Embaixo: Baia de Guanabara, Ponte Rio Niterói, Maracanã, Porto Marítimo,... - Fotografia Xande Durso - 16/08/15. |
Alcançamos o topo... Total
deslumbre assistir quase toda Cidade do Rio de Janeiro.
O que se vê?... E para
nunca mais esquecer: Baia de Guanabara, Ilha do Governador,
Ilha do Fundão, Ponte
Rio-Niterói, Zona Norte, Centro, Pico Mirim, parte da Barra,...
Também partes de outros
municípios: Duque de Caxias, Niterói e outros longínquos.
Incrível! Muitos
espaços geográficos ao mesmo tempo. Simplesmente extraordinário!
Mas interrompo meu
assombro. Jana não subiu. “Travou”
na escada. Retornei.
Jilder
ajudado
por um rapaz e uma mulher davam incentivos à Jana contra seu temor.
Também entrei no coro de estímulo. Por fim ela decidiu
enfrentar o desafio.
O segredo era olhar
somente para as escadas e não olhar para trás. Conseguiu!
Todos contemplativos...
Lindo! Lindo! Lindo! Lindo! Lindo! Lindo!... Infinitamente.
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| Pedra da Gávea vista do Pico da Tijuca - Fotografia Xande Durso - 16/8/15. |
Do outro lado, bem a
nossa frente, avistei a hercúlea e mística Pedra da Gávea.
Será que é a face de
Deus? Gravada pelo Próprio? Quem pode negar?
O que imaginavam ou
acreditava os indígenas antes dos portugueses colonizadores?
Nós estudantes de GEOGRAFIA
sabemos que o formato da Pedra ainda não findou.
Prolonga-se e
continuará além. Qual o contorno daqui a milhões de anos à frente?
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| "Marco" indicando altura do Pico - Xande (direita), Autor (esquerda) - Fotografia Xande Durso - 16/08/15. |
A vegetação no topo do
Pico e de pequenas árvores. Um marco indica a altura:
Mil e vinte um metros
de altura acima da linha do mar. E lá estávamos venturosos.
Ajeitamo-nos nas
sombras de pequenas “tocas” de plantas locais. Rápido lanche.
Eu, Val Gomes, Jana, Jilder e outros
componentes iniciaram breves conversa.
Seções de fotografias
com todos os integrantes. Xande preparou
a máquina fotográfica.
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| O autor de boné com escudo do Flamengo junto com integrantes do grupo - Fotografia Xande Durso - 16/08/15. |
Discretamente lhe
entreguei uma bandeira do Flamengo. A câmera acendeu uma luz.
Ajuntou-se ao grupo.
Estendeu o pavilhão rubro negro. Protestos de outros torcedores.
Contudo todos se
endireitaram. Inclusive os dois estandartes: Brasil e Flamengo.
Depois do fascínio e
descanso o grupo resolveu regressar. Jana
desta vez se antecipou.
Queria sobrepujar a
escada sem ninguém. Portanto desceu com êxito. Venceu!
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| Jana de chapéu descendo a escada, atrás de Jilder (camisa roxa) - Fotografia Xande durso - 16/08/15. |
Caminhávamos outra vez
na trilha. Desta vez descendo. Deixando para trás lembranças.
Pouco depois um pequeno
acidente. Uma integrante do grupo se desequilibrou... Caiu.
Todos que estavam
próximos interromperam seus passos, preocupados com sua queda.
Até mesmo pessoas de
outros locais, inclusive estrangeiros. Como três jovens asiáticas.
Olhei para as moças e
indaguei em português: “Japão?” Negaram. Eram chinesas.
“Conversamos” de modo
indireto. Disse que a vista e bem bonita.
Elas entenderam.
A passiva que tombou se
recuperou depois do grande susto. Nunca esquecerá.
Felizmente não foi
grave. Apenas alguns arranhões e dores localizadas. Que lembrança?
Despedi-me das jovens chinesas.
O que elas disseram? Igualmente: O que ele disse?
Adiante, Jana chamou minha atenção: “Nunca
diga o País. Pergunte a nacionalidade”.
“Chineses e japoneses
são iguais a brasileiros e argentinos. Tem suas rivalidades.”
Reiniciamos a descida. Mariana Marinho uma jovem do nosso
grupo arreceou-se.
Nitidamente suas pernas
tremiam. Eu e Jana julgamos uma
deficiência alimentar.
Ofereceremos banana,
outras frutas, doce,... Mariana
recusou. Não apreciava.
Revelou que sentia medo
de cair no terreno inclinado, olhando no sentido para baixo.
Dei-lhe a mão como
apoio nos trechos acidentados. Para acalmá-la iniciei conversação.
Ela acadêmica de Letras
na UFRJ (português – latim). Identifiquei-me como Escritor.
Nossa conversa limitou-se
somente na Literatura: Grandes clássicos, escritores, livros,...
Sucesso que acalmou a
moça. Inclusive abdicou seu improvisado e rústico cajado.
Percorríamos tão
singelos que às vezes éramos obrigados aguardar parte do grupo.
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| Largo do Bom Retiro - Floresta da Tijuca - Local onde se inicia a trilha para os Picos - Fotografia Xande Durso - 16/08/15. |
Finalmente atingimos Largo do Bom Retiro, espaço onde permaneciam os veículos estacionados.
Todos lavaram mãos e
rosto numa fonte local. Depois ida aos banheiros reservados.
Pausamos. O grupo se
desfez rápido. Poucas despedidas. Lanchamos, conversamos,...
Desci com um integrante
do grupo para trazer nossos carros estacionados na estrada.
Últimas despedidas com
os que subsistiram. Promessas de contatos por e-mails.
Descemos levados pelo
meu velho Marajó com os seis passageiros
premidos.
Conduzia devagar. A
estrada possui muitas curvas e era bom apreciar a paisagem.
Fora da Floresta fomos
interceptados por uma camelô de incensos. Ninguém comprou.
Pelas Leis de trânsito
meu carro estava lotado. Um passageiro além do permitido,
Seis ocupantes. Eu era
passível de uma multa. E expulsão de um passageiro. Portanto,
Deixei-os num ponto de
ônibus. Um rapaz e duas mulheres. Agora olvido seus nomes.
Antes, ofereci dois
lugares, também eram de São Gonçalo. Não
quiseram se desunir.
Ainda na descida
avistei adeptos de religiões afro-brasileiras com suas roupas alvas.
Certamente cultuavam seus
Orixás que regem a belíssima Floresta da Tijuca.
Divindades que
acompanharam seus ancestrais cativos oriundos da mãe África.
Jana
deitou no banco traseiro. Jilder me assistia
nas sinalizações rumo Avenida Brasil.
Na ponte Rio-Niterói a
oitenta quilômetros por hora, eu avistei o Pico da Tijuca.
Surpreendi-me. Senti
uma sensação de regozijo, vitória, satisfação,... Exclamei:
“Não acredito que ainda
a pouco estava naquele lugar... Nunca mais vou esquecer!”
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| Vista do alto do Pico da Tijuca - Fotografia: Janaiara Cunha - 16/08/15. |
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Trindade/Colubandê,
São Gonçalo, agosto de 2015.
Maurício Matos
Cunha