sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Pico da Tijuca



Subir para contemplar

Pico da Tijuca - Cidade do Rio de Janeiro - Fotografia: Xande Durso, agosto de 2015.


Primeira vez que conhecia a Floresta da Tijuca. Ainda estava na Praça do “Alto”.
Deslumbrei-me com a vegetação natural ao redor do Largo numa cidade urbana.   
Éramos acadêmicos de GEOGRAFIA com seus respectivos convidados.
Aquele local era o basilar encontro. Aos poucos todo grupo se formou.
“Vamos!” Primeira subida. Apertaram-se nos carros. Partiram... Fiquei para trás.
O motivo? Estava à procura de Jana (minha filha) e o simpático peruano Jilder.
Um gênio ou “louco”? Está no Brasil laborando seu doutorado de Física. Nossa?!
Encontrei-os sentados na beira do riacho em frente do portal da Floresta da Tijuca.
Também levei três passageiros. Na entrada o guarda anotou a placa do meu carro.
Na subida avistamos um casal de quatis. Aliás, únicos animais que assistimos.
Quase passei do segundo ponto de encontro. Xande me fez parar: “E aqui Maurício”!
Uma colega de Geografia (Val Gomes) na hora me cognominou de “Barrichello”.

Cascatinha - Fotografia: Xande Durso - 16/08/2015.
Todos juntos, fotos diante da Cascatinha. Muito lindo apreciar o véu d’água.
Reiniciamos a segunda etapa da subida no asfalto com nossos carros.
Na estrada um guarda local orientou para estacionarmos na margem.
A poucos metros acima o largo de estacionamento de automóveis que estava lotado.
Fotografias, assinaturas oficial de presença dos alunos de GEOGRAFIA.
Breve discurso do Xande orientando sobre a trilha que nos esperava.
Deu-se inicio a ansiosa subida a pé em direção ao Pico da Tijuca.
A trilha íngreme adentrava na mata. O frescor da natureza era purificador
Rafael Leal nos alertou: “Cuidado!” “Tenham máxima atenção com as raízes”.
Imaginei: raízes tal quais tentáculos de um polvo assassino saindo da terra.
Apêndices móveis entrelaçando em nossos pés e nós arrastando para o solo...
Mas, Rafael “apagou” minha fantasia explicando que eram apenas os tropeços.
Fomos ziguezagueando na trilha... Alguns apressados passavam por nós.
Por que tanta pressa num ambiente selvático? Paragem que promove meditação:
Belas árvores e plantas nativas, algumas exóticas. Despertam interesse e admiração.
Flashes na folhagem exibem nacos da Cidade. Tão quieta do alto, mas agitada no chão.
A cada parada clamava em tom de brincadeira: “Chegou”!? “Chegou”!?...
“Ainda não!” - alguém respondia. Íamos subindo... Outros descendo...


Nosso grupo subindo na trilha em direção ao Pico da Tijuca - Fotografia: Xande Durso - 16/08/15
Que trânsito? Parecíamos saúvas indo e vindo ao mesmo carreiro.
As formigas se trombam levemente. Nós com palavras de cumprimentos.
Pessoas que nunca se assistiram. Algumas do Rio. Outras de terras distantes.
A magia do lugar criava este ambiente. Afinal todos estavam no mesmo propósito.
Num clarão da mata os sinais dos celulares vivificaram, todavia foi rápido.
Naquela altura era possível admirar os dois maiores estádios de futebol do Rio,
Maracanã e Engenhão. Iludindo-nos que eram bem próximos numa linha reta.
A Cidade era vista por todos os presentes por uma perspectiva extraordinária.


Base do pináculo do Pico - Na foto o autor (centro) com colegas da Geografia.- Fotografia Xande Durso (primeiro a esquerda) - 16/08/2015. - 
Enfim chegamos ao Costão do Maciço. Colossal pedra de milhões de anos.
Um genuíno gnaisse. Êxtase para geógrafos e até mesmo pessoas de outras áreas.
Assemelhar-se a um dente forte, estável, sem cárie,... Numa gengiva saudável.
Todos tocaram na rocha. Xande gracejou que dava sorte. Que tipo de ventura?
Fotos enquanto nossas mãos apalpavam a antiga concepção metamórfica.  
Prosseguimos... Adiante uma mina d’água cruzava o caminho. Local empapado.
Aflorando uma rocha muito molhada. Na base argila umedecida, escorregadia...
Felizmente ninguém caiu sobre a pedra ou na lama. Somente uns pares de tênis sujos.


Escada de acesso ao cume - Fotografia Xande Durso - 16/08/15
Não muito andando na trilha atingimos à escada... Último “portal” antes do cume.
Naquele local recebemos um aperitivo. A linda vista da ampla e variada área urbana.
Aguardamos os visitadores que chegou antes, descer a escada.  Engarrafamento...
Degraus artificiais que foram esculpidos na primeira metade do século passado.
Todos talhados sem argamassa na rocha virgem. Úteis para quem não é alpinista.
Correntes de ferro encontram-se na pedra. “Serviam” como corrimão de Segurança.
Os suportes também estão caídos.  Tudo oxidado... Porque não são substituídos?
Assim as escadas se revelam atraentes e ao mesmo tempo perigosas naquela altura.
De tal modo que muitos desistem de atingir o estremo vértice da Floresta da Tijuca.
Triste decepção chegar tão perto e ser vencido por uma escada sem qualquer proteção.
Iniciamos nossos passos... Degrau sobre degraus que impõem coragem e precaução.


Vista do Pico da Tijuca - Em primeiro plano: Pico Mirim - Embaixo: Baia de Guanabara, Ponte Rio Niterói, Maracanã, Porto Marítimo,... - Fotografia Xande Durso - 16/08/15.
Alcançamos o topo... Total deslumbre assistir quase toda Cidade do Rio de Janeiro.
O que se vê?... E para nunca mais esquecer: Baia de Guanabara, Ilha do Governador,
Ilha do Fundão, Ponte Rio-Niterói, Zona Norte, Centro, Pico Mirim, parte da Barra,...
Também partes de outros municípios: Duque de Caxias, Niterói e outros longínquos.
Incrível! Muitos espaços geográficos ao mesmo tempo. Simplesmente extraordinário!
Mas interrompo meu assombro. Jana não subiu. “Travou” na escada. Retornei.
Jilder ajudado por um rapaz e uma mulher davam incentivos à Jana contra seu temor.
Também entrei no coro de estímulo. Por fim ela decidiu enfrentar o desafio.
O segredo era olhar somente para as escadas e não olhar para trás. Conseguiu!
Todos contemplativos... Lindo! Lindo! Lindo! Lindo! Lindo! Lindo!... Infinitamente.


Pedra da Gávea vista do Pico da Tijuca - Fotografia Xande Durso - 16/8/15.
Do outro lado, bem a nossa frente, avistei a hercúlea e mística Pedra da Gávea.
Será que é a face de Deus? Gravada pelo Próprio? Quem pode negar?
O que imaginavam ou acreditava os indígenas antes dos portugueses colonizadores?
Nós estudantes de GEOGRAFIA sabemos que o formato da Pedra ainda não findou.
Prolonga-se e continuará além. Qual o contorno daqui a milhões de anos à frente?


"Marco" indicando altura do Pico - Xande (direita), Autor (esquerda) - Fotografia Xande Durso - 16/08/15.
A vegetação no topo do Pico e de pequenas árvores. Um marco indica a altura:
Mil e vinte um metros de altura acima da linha do mar. E lá estávamos venturosos.
Ajeitamo-nos nas sombras de pequenas “tocas” de plantas locais. Rápido lanche.
Eu, Val Gomes, Jana, Jilder e outros componentes iniciaram breves conversa.
Seções de fotografias com todos os integrantes. Xande preparou a máquina fotográfica.


O autor de boné com escudo do Flamengo junto com integrantes do grupo - Fotografia Xande Durso - 16/08/15.
Discretamente lhe entreguei uma bandeira do Flamengo. A câmera acendeu uma luz.
Ajuntou-se ao grupo. Estendeu o pavilhão rubro negro. Protestos de outros torcedores.
Contudo todos se endireitaram. Inclusive os dois estandartes: Brasil e Flamengo.
Depois do fascínio e descanso o grupo resolveu regressar. Jana desta vez se antecipou.
Queria sobrepujar a escada sem ninguém. Portanto desceu com êxito. Venceu!


Jana de chapéu descendo a escada, atrás de Jilder (camisa roxa) - Fotografia Xande durso - 16/08/15. 
Caminhávamos outra vez na trilha. Desta vez descendo. Deixando para trás lembranças.
Pouco depois um pequeno acidente. Uma integrante do grupo se desequilibrou... Caiu.
Todos que estavam próximos interromperam seus passos, preocupados com sua queda.
Até mesmo pessoas de outros locais, inclusive estrangeiros. Como três jovens asiáticas.
Olhei para as moças e indaguei em português: “Japão?” Negaram. Eram chinesas.
“Conversamos” de modo indireto.  Disse que a vista e bem bonita. Elas entenderam.
A passiva que tombou se recuperou depois do grande susto. Nunca esquecerá.
Felizmente não foi grave. Apenas alguns arranhões e dores localizadas. Que lembrança?
Despedi-me das jovens chinesas. O que elas disseram? Igualmente: O que ele disse?
Adiante, Jana chamou minha atenção: “Nunca diga o País. Pergunte a nacionalidade”.
“Chineses e japoneses são iguais a brasileiros e argentinos. Tem suas rivalidades.”
Reiniciamos a descida. Mariana Marinho uma jovem do nosso grupo arreceou-se.
Nitidamente suas pernas tremiam. Eu e Jana julgamos uma deficiência alimentar.
Ofereceremos banana, outras frutas, doce,... Mariana recusou. Não apreciava.
Revelou que sentia medo de cair no terreno inclinado, olhando no sentido para baixo.
Dei-lhe a mão como apoio nos trechos acidentados. Para acalmá-la iniciei conversação.
Ela acadêmica de Letras na UFRJ (português – latim). Identifiquei-me como Escritor.
Nossa conversa limitou-se somente na Literatura: Grandes clássicos, escritores, livros,...
Sucesso que acalmou a moça. Inclusive abdicou seu improvisado e rústico cajado.
Percorríamos tão singelos que às vezes éramos obrigados aguardar parte do grupo.


Largo do Bom Retiro - Floresta da Tijuca - Local onde se inicia a trilha para os Picos - Fotografia Xande Durso - 16/08/15.
Finalmente atingimos Largo do Bom Retiro, espaço onde permaneciam os veículos estacionados.
Todos lavaram mãos e rosto numa fonte local. Depois ida aos banheiros reservados.
Pausamos. O grupo se desfez rápido. Poucas despedidas. Lanchamos, conversamos,...
Desci com um integrante do grupo para trazer nossos carros estacionados na estrada.
Últimas despedidas com os que subsistiram. Promessas de contatos por e-mails. 
Descemos levados pelo meu velho Marajó com os seis passageiros premidos.
Conduzia devagar. A estrada possui muitas curvas e era bom apreciar a paisagem.
Fora da Floresta fomos interceptados por uma camelô de incensos. Ninguém comprou.
Pelas Leis de trânsito meu carro estava lotado. Um passageiro além do permitido,
Seis ocupantes. Eu era passível de uma multa. E expulsão de um passageiro. Portanto,
Deixei-os num ponto de ônibus. Um rapaz e duas mulheres. Agora olvido seus nomes.
Antes, ofereci dois lugares, também eram de São Gonçalo.  Não quiseram se desunir.
Ainda na descida avistei adeptos de religiões afro-brasileiras com suas roupas alvas.
Certamente cultuavam seus Orixás que regem a belíssima Floresta da Tijuca.
Divindades que acompanharam seus ancestrais cativos oriundos da mãe África.
Jana deitou no banco traseiro. Jilder me assistia nas sinalizações rumo Avenida Brasil.
Na ponte Rio-Niterói a oitenta quilômetros por hora, eu avistei o Pico da Tijuca.
Surpreendi-me. Senti uma sensação de regozijo, vitória, satisfação,... Exclamei:
“Não acredito que ainda a pouco estava naquele lugar... Nunca mais vou esquecer!”

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Vista do alto do Pico da Tijuca - Fotografia: Janaiara Cunha - 16/08/15.

* * *

Trindade/Colubandê, São Gonçalo, agosto de 2015.


Maurício Matos Cunha             

   

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Poema: Ponto de interrogação




Fotografia  Xande Durso, 16 de agosto de 2015 – Pico da Tijuca – Rio de Janeiro – Brasil.


Ponto de interrogação


Dizem que uma fotografia vale por mil e uma descrições.
Mas... Quando este retrato reflete muitas interrogações?
Assim observo a imagem de Caio Maia sobre a rocha.
O Grande Rochedo que chancela o belo Pico da Tijuca.

Ele está simplesmente observando a Cidade aos seus pés?
Preparou-se exclusivamente para uma simples recordação?
As duas circunstâncias não compelem respostas marcadas.
Assim sendo, o instantâneo promove impulso emblemático.

Lógico que não existe qualquer mistério se o Caio revelar.
Entretanto, quem deseja saber? Ou para quê transparecer?
Desenvolver a lenda nesta curiosidade é bem mais instigante.
Momento... Quando omitido largueia mil e uma interpretações.

Daqui há muitos andamentos: dez, vinte, trinta,... Ou mais anos.
Alguém encontrará esta aprazível representação de um tempo.
Certamente terá minhas semelhantes considerações de dúvida:
- O que este indivíduo está pensando num local tão elevado?

* * *
Trindade, São Gonçalo 25 de agosto de 2015 – 03h05min.
Maurício Matos Cunha

sábado, 22 de agosto de 2015

Poema: Artifício de sedução



Vênus de Milo - Estátua de Afrodite - Deusa da beleza, amor e sexo - Museu do Louvre Paris - França 

Artifício de sedução


Meu celular sinalizou... Número desconhecido.
Era um recado de Fábio. Pedia urgência...
Por qual motivo?... Tomei rumo.
Cerca de vinte minutos depois, apertei a campainha.
Silêncio, após o alarme. Ninguém?...
Acionei novamente. Repetiu-se a serenidade.
Toquei na maçaneta. Girou... Destrancada?...
Diante da porta chamei: “Fábio!” “Helena!” “Fábio!”...
Sofreram horrenda abordagem de roubo?...
Entrei em alerta... A sala estava à meia luz.
Lumes de velas perfumadas, incensos aromais?...
Mas, predominava um forte perfume de mulher.
Surpreso eu avistei... O que nunca imaginei...
“Helena?!” “O que houve?” “Por quê?”...
Estava assentada numa cadeira no meio da sala.
Completamente nua com as pernas pouco aberta.
Entre suas perfeitas coxas havia uma taça com vinho.
“Tapava” seu íntimo. Aproximei-me cauteloso.
Ela levantou a taça e me ofereceu, senti o aroma.
Sem dúvida um vinho mouro, afiançada casta.
Recusei a taça do líquido. Pecado de Baco.
Notei as penugens tentação, admirável atração.
Senti uma tremedeira, coração acelerado,...
Desviei os olhos, mas não pude fugir de reparar,
Seus lindos seios de deusa grega, lindos, lindos, lindos,...
Pediu-me para se livrar das minhas roupagens.
Neguei “lutando” com um leve gesto de cabeça.
Aproximei-me e beijei respeitosamente sua testa.
Levei um susto! Ela atirou o vinho na minha roupa.
Compreendi... Forçava minha total nudez.
Afastei-me com passos pesados... Hesitantes...
“Fique!” – ela disse - “Articulei este belo momento”.
Atravessei a porta lutando contra meus instintos.
Deixava para trás uma magnífica mulher nua.
Na rua... Entrei num botequim qualquer.
O proprietário sisudo divisou minha camisa,
Toda rubra, parecia encharcada de sangue.
Mas o cheiro ativo do vinho lhe respondeu.
Pedi uma garrafa de vinho. Recebi bebida ordinária.
Sabia que colocava um fim na amizade com Fábio.
Todavia, é mais perfeito... Não sei trair um amigo.

* * *
Maurício Matos Cunha.
Trindade, São Gonçalo, agosto de 2015.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Poema: Suas Atitudes

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Praia da Luz , São Gonçalo,  Estado do Rio de Janeiro - Fotografia: Jean Carlos. 











Suas atitudes

Menina que vive no bosque fascinante do amor,
Por que provoca meu pobre coração que sofre por você,
Colocando minhas atitudes na incerteza cruel indefinida,
destruindo meus pensamentos puros sobre o nosso futuro?

Eu a amo tanto que um dia ficarei a deriva se algo acontecer.
Ou então pedirei a Deus para deixar de viver nesta Terra.
Mesmo assim, mostrarei a todos como lhe amei veementemente,
num símbolo teórico que o grande tempo ocultará eternamente.

Já não sei mais o que faço, pois a cada dia amo...
muito mais do que os minutos de outrora perto de você,
do seu sorriso simples, cor de mel, suas maneiras incertas,
deixando meu amor sonhador num vasto campo de mistério.

Tudo para mim, neste momento, são apenas objetos sem valor,
exceto seus lábios delicados de framboesa, seu rosto inocente,
nos brilhos característicos dos seus olhos estrela radiantes,
onde seus cabelos castanhos, lisos, escorridos, me fascina.

Você representa um paraíso de felicidade que ainda não conheço.
Um amor que sempre sonhei guardar para nunca chegar ao fim.
Minha própria esperança dentro de uma canção sem pesadelos.
Enfim, meu pequeno insignificante universo de apaixonado Poeta.

Então, por quê? Por que machuca minha afeição enfastiada,
Que sobrevive somente para seus encantos de menina amor,
onde sempre cria intrigas de fantasmas com alma de rancor,
que de repente pode desfazer este amor que sinto em lágrimas?

* * *
Maurício Matos Cunha
Neves, São Gonçalo, 9 de junho de 1978.


Prêmio de Edição – Livro: BEST SELLER – LITERATURA MAIOREditora Litterris – pag. 68 - 1993

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Elegia ao Poeta Desconhecido

Imagem ilustrativa - Crédito: Maurício M. Cunha


Numa Biblioteca descansam iluminações de vultosos poetas consagrados na Literatura.

Porém, nessas estantes não entraram brilhantes poetas desconhecidos que inspiraram belíssimos versos, não lidos.

Destarte foram completamente esvanecidos.

A História não registrou suas existências.

Assim reflexivo... percorrendo os corredores do Campo Santo, entendo que desapareceram…

Da mesma forma, os seus lindos versos…


Elegia ao Poeta Desconhecido


Morreram todos teus versos em prosa,

após teu retorno para outra vida.

Tuas estrofes perfeitas feito rosa,

dissiparam na saudade sofrida.


Poeta, onde estás, além desta vida?

Tua poesia é linda, muito valiosa!

Onde guardou tua maior letra não lida?

Porções sensíveis de tua alma airosa.


Tua arte, dedicação e inspiração,

tudo desconhecido no passado,

tempo que jamais será ultrajado.


Hoje, não existe veneração,

para tua obra, dentro deste apartado,

presente, sem teu poema estagnado.



                               Mauricio Matos Cunha

                              27 de agosto de 1989

.

Soneto publicado na Agenda editora Litteris 1993 - página: Outubro - dias: 4 (segunda); 5 (terça) e 6 quarta).

Poema: Manhã na roça



Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeira de Macacu, Estado do Rio de Janeiro - Fotografia: Ana Carla - 22/03/2014.
Manhã na roça


Ainda faz muito frio neste momento matinal
E o Sol chega devagar, meio tímido,
até parece que não quer despertar.
Uma brisa chega de repente, quase de tocaia.
Céus! Aí, fica tudo... geladinho.
Que vontade de ficar encolhido, quietinho.
De longe vem um mugido de bezerro,
um relinchar e muitos gorjeios de pássaros.
Mas tudo ainda está frio, sonolento,
o milharal inteiro molhado de orvalho;
o cafezal e todo matagal estão imóveis
aguardando os raios solares que chegam lentos.
Opa! O cafezinho, quentinho, faz fumaça no ar.
Até Rex, cachorro preguiçoso, abana a cauda,
sabe que com o café sempre sobra angu.
Os colonos já estão na roça, unidos com enxadas.
Levantam cedo, antes de o Sol querer chegar,
muitos tomam pinga para espantar o frio
e criar ânimo para terminar o roçado de pronto.
- “Eta! Mundão danado que dá trabaio!”
Diz alguém de pé no chão, com foice na mão.
E do horizonte, emergindo por detrás das montanhas,
o Sol vai espantando o frio teimoso,
deixando alegre, a bela moça, inocente.
E em cada casebre a fumaça do fogão de lenha
simboliza a vida campestre; pura, feliz...


                                      Maurício Matos Cunha

Junho de 1989.



Poesia publicada no Livro de antologia: Contos e Poemas do Brasil 1992 - Editora Litteris.