terça-feira, 11 de agosto de 2015

Poema: Manhã na roça



Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeira de Macacu, Estado do Rio de Janeiro - Fotografia: Ana Carla - 22/03/2014.
Manhã na roça


Ainda faz muito frio neste momento matinal
E o Sol chega devagar, meio tímido,
até parece que não quer despertar.
Uma brisa chega de repente, quase de tocaia.
Céus! Aí, fica tudo... geladinho.
Que vontade de ficar encolhido, quietinho.
De longe vem um mugido de bezerro,
um relinchar e muitos gorjeios de pássaros.
Mas tudo ainda está frio, sonolento,
o milharal inteiro molhado de orvalho;
o cafezal e todo matagal estão imóveis
aguardando os raios solares que chegam lentos.
Opa! O cafezinho, quentinho, faz fumaça no ar.
Até Rex, cachorro preguiçoso, abana a cauda,
sabe que com o café sempre sobra angu.
Os colonos já estão na roça, unidos com enxadas.
Levantam cedo, antes de o Sol querer chegar,
muitos tomam pinga para espantar o frio
e criar ânimo para terminar o roçado de pronto.
- “Eta! Mundão danado que dá trabaio!”
Diz alguém de pé no chão, com foice na mão.
E do horizonte, emergindo por detrás das montanhas,
o Sol vai espantando o frio teimoso,
deixando alegre, a bela moça, inocente.
E em cada casebre a fumaça do fogão de lenha
simboliza a vida campestre; pura, feliz...


                                      Maurício Matos Cunha

Junho de 1989.



Poesia publicada no Livro de antologia: Contos e Poemas do Brasil 1992 - Editora Litteris.



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