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| Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeira de Macacu, Estado do Rio de Janeiro - Fotografia: Ana Carla - 22/03/2014. |
Manhã na roça
Ainda
faz muito frio neste momento matinal
E o
Sol chega devagar, meio tímido,
até
parece que não quer despertar.
Uma
brisa chega de repente, quase de tocaia.
Céus!
Aí, fica tudo... geladinho.
Que
vontade de ficar encolhido, quietinho.
De
longe vem um mugido de bezerro,
um
relinchar e muitos gorjeios de pássaros.
Mas
tudo ainda está frio, sonolento,
o
milharal inteiro molhado de orvalho;
o
cafezal e todo matagal estão imóveis
aguardando
os raios solares que chegam lentos.
Opa!
O cafezinho, quentinho, faz fumaça no ar.
Até
Rex, cachorro preguiçoso, abana a cauda,
sabe
que com o café sempre sobra angu.
Os
colonos já estão na roça, unidos com enxadas.
Levantam
cedo, antes de o Sol querer chegar,
muitos
tomam pinga para espantar o frio
e
criar ânimo para terminar o roçado de pronto.
-
“Eta! Mundão danado que dá trabaio!”
Diz
alguém de pé no chão, com foice na mão.
E do
horizonte, emergindo por detrás das montanhas,
o
Sol vai espantando o frio teimoso,
deixando
alegre, a bela moça, inocente.
E em
cada casebre a fumaça do fogão de lenha
simboliza
a vida campestre; pura, feliz...
Maurício
Matos Cunha
Junho de 1989.
Poesia publicada no Livro de antologia: Contos e Poemas do Brasil 1992 - Editora
Litteris.

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