sábado, 22 de agosto de 2015

Poema: Artifício de sedução



Vênus de Milo - Estátua de Afrodite - Deusa da beleza, amor e sexo - Museu do Louvre Paris - França 

Artifício de sedução


Meu celular sinalizou... Número desconhecido.
Era um recado de Fábio. Pedia urgência...
Por qual motivo?... Tomei rumo.
Cerca de vinte minutos depois, apertei a campainha.
Silêncio, após o alarme. Ninguém?...
Acionei novamente. Repetiu-se a serenidade.
Toquei na maçaneta. Girou... Destrancada?...
Diante da porta chamei: “Fábio!” “Helena!” “Fábio!”...
Sofreram horrenda abordagem de roubo?...
Entrei em alerta... A sala estava à meia luz.
Lumes de velas perfumadas, incensos aromais?...
Mas, predominava um forte perfume de mulher.
Surpreso eu avistei... O que nunca imaginei...
“Helena?!” “O que houve?” “Por quê?”...
Estava assentada numa cadeira no meio da sala.
Completamente nua com as pernas pouco aberta.
Entre suas perfeitas coxas havia uma taça com vinho.
“Tapava” seu íntimo. Aproximei-me cauteloso.
Ela levantou a taça e me ofereceu, senti o aroma.
Sem dúvida um vinho mouro, afiançada casta.
Recusei a taça do líquido. Pecado de Baco.
Notei as penugens tentação, admirável atração.
Senti uma tremedeira, coração acelerado,...
Desviei os olhos, mas não pude fugir de reparar,
Seus lindos seios de deusa grega, lindos, lindos, lindos,...
Pediu-me para se livrar das minhas roupagens.
Neguei “lutando” com um leve gesto de cabeça.
Aproximei-me e beijei respeitosamente sua testa.
Levei um susto! Ela atirou o vinho na minha roupa.
Compreendi... Forçava minha total nudez.
Afastei-me com passos pesados... Hesitantes...
“Fique!” – ela disse - “Articulei este belo momento”.
Atravessei a porta lutando contra meus instintos.
Deixava para trás uma magnífica mulher nua.
Na rua... Entrei num botequim qualquer.
O proprietário sisudo divisou minha camisa,
Toda rubra, parecia encharcada de sangue.
Mas o cheiro ativo do vinho lhe respondeu.
Pedi uma garrafa de vinho. Recebi bebida ordinária.
Sabia que colocava um fim na amizade com Fábio.
Todavia, é mais perfeito... Não sei trair um amigo.

* * *
Maurício Matos Cunha.
Trindade, São Gonçalo, agosto de 2015.


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