quarta-feira, 27 de maio de 2020

Eterna Noiva


Crédito: Maurício M. Cunha - 27/05/2020

Uma história de Amor,

não correspondido...

Maria Jandira dos Santos, tornou santa sem ter praticado vida religiosa, era prostituta.

Tomei conhecimento através de Ana Paula Ferreira dos Santos, uma amiga virtual de Campinas, SP. Achei a História interessante e quis saber sobre essa “santa”.

Maria Jandira dos Santos, nasceu numa rica família conservadora, Campinas, SP. Por condições antagônicas, mesmo sendo menor de idade, os seus entes decretaram abandoná-la.

Para sobreviver, entrou na vida de meretrício se valendo da sua beleza. Aos 23 anos conhece um amante rico, apaixonam-se. Ele quer tirá-la da vida de prostituição. Todavia, a família do amado, não concorda,  ele a relega terminantemente. 

Desiludida com o (segundo) inclemente abandono  à jovem apaixonada, frustrada,... Veste-se de noiva e se molha de álcool, ateá fogo em si mesma. 

Este trágico ato de amor desvalido a tornou conhecida, pois comoveu toda localidade. Seus amigos lhe dão um enterro digno.

Tempos depois, passou a fazer milagres atendendo pedidos de devotos. O seu túmulo é repleto de placas de agradecimentos de graças alcançadas. Com uma curiosidade apenas flores, pois as velas têm fogo.


Eterna Noiva



O berço que nasceu de sobrenome sério

Não foi satisfatório mantê-la nobreza.

Sua história de vida é total mistério,

Abandonada menor causa estranheza…


Deste modo adentrou caminho adultério,

Sobreviver usando natural beleza,

Dentro casarão de prática de venéreo,

Divertindo seus clientes na safadeza.



Eis que conhece homem rico construtor,

Apaixonam-se sinalizam casamento,

Sair vida profana buscar o certo amor.



Porém, família amado não e a favor.

Ele se vai, ela desilusão, tormento,….

Veste-se de noiva, sucumbe no calor.


Maurício Matos Cunha

26/05/2020


Crédito: Maurício M. Cunha - 27/05/2020.


M
aria Jandira dos Santos (08/05/1911 – 24/08/1934) - Era uma mulher jovem muito linda, rosto de forma elíptica, boca pequena, lábios harmoniosos, olhos grandes bem contornados e clássicos, nariz bem delineado, cabelos negros cheios compridos até a altura dos ombros.

Na vida de meretriz atendia num casarão, pensão da cafetina Laudelina, rua Visconde de Rio Branco. 631, Campinas. (Hoje não existe mais a referida propriedade).

Seu túmulo, encontra-se no número 298, Quadra 28, Cemitério da Saudade, Campinas, SP, muito visitado no dia de finados.

 O título do soneto Eterna Noiva foi inspirado segundo depoimento de um funcionário que experimentou visão de Maria Jandira dos Santos numa certa noite, vestida de noiva à procura do seu amado. 

* Mais informações sobre Maria Jandira dos Santos, pode ser encontrado nos relatos do Historiador e Escritor Eduardo Pin e no livro do Cineasta Dino Menezes. “PRA QUEM ACREDITA EM FANTASMAS”.


quinta-feira, 21 de maio de 2020

LAUDATÓRIO A CASTRO ALVES

"Liberdade" - Crédito: Maurício M. Cunha

Antônio Frederico de CASTRO ALVES (1847–1871), recebeu muitos renomes, talvez o mais conhecido seja: “O POETA DOS ESCRAVOS” no dizer de Joaquim Nabuco. Pois que, escreveu versos e poemas imortais na literatura brasileira sobre os escravos.

Poema (Castro Alves): "O Navio Negreiro" – retrata a situação dos escravos que eram arrancados das suas famílias e terra e confinados como animais em navios negreiros que rumavam locais distantes direto para os senhores e obrigados a trabalhar sob o domínio dos feitores.

Poema (Castro Alves): “Os Escravos” - versa sobre a exploração dos escravos no Brasil. 

CASTRO ALVES foi um poeta nacionalista, social e humano e humanitário. 



Laudatório a Castro Alves


Existiu um período, sombrio, sem brio.

Como sobrenadar num turbulento rio.

Eram clamores lamentosos sem eco.

Sobrestavam no ouvido branco, seco.

Época nuviosa, severa, nefária, infame,...

Nenhum exame de dó... Que vexame!

Eles dormiam nos espaços fechados.

Alguns acorrentados e amordaçados.

Infames índoles dos senhores tiranos.

Indiferente aos sentimentos humanos.

Cruéis modos peculiares e desumanos.

Muitos sofrendo sem saber real razão.

Ou morto na ingrata escapada em vão.

Caçado pelo capitão-do-mato ofensivo.

Tempo iníquo, exclusivamente no cativo.

Batalhando na agricultura um inferno

sob o sol, um efeito nocivo quase eterno.

À noite em lamentos ainda cantavam,

para Zambi e outros deuses saudavam,

na esperança da ingente LIBERDADE.

Ansiavam expectativa pela IGUALDADE.

Porém, seus anseios eram destruídos,

por terríveis abatimentos corroídos.

Mão de obra de uso injusto e lastimoso,

no qual vivenciou indignado, penoso...

Egrégio poeta, naqueles ímpetos graves

dias, Antônio Frederico de Castro Alves.


Maurício Matos Cunha


Sobre a imagem: "Liberdade" ou "Liberdade Negra" não são estes os nomes verdadeiros. Mas induz, pois retrata um homem negro (pai) erguendo para o céu uma criança (filho) com a corrente rompida (escravidão) e uma mulher (mãe) agradecendo. 
Quando registrei está imagem (21/05/2020), este magnifico monumento, encontrava-se abandonado na Praça dos Trabalhadores, Trindade, São Gonçalo, RJ. 
Na base da estátua toda emporcalhada por pichações sem placa (furtada) que identificava: nome oficial do monumento, autor da escultura e ano de inauguração.  
Infelizmente não encontrei informações (até o momento) disponíveis sobre notável obra prima.

Base sem a placa e suja de pichações - Crédito: Maurício M. Cunha

     


terça-feira, 12 de maio de 2020

PROFESSORA ANTONIETA PALMEIRA


Professora Antonieta Palmeira – autor/data imagem desconhecido - reprodução cedida pela Secretaria do CEPAP - 2018

O colégio Estadual Professora Antonieta Palmeira (CEPAP), está situado no bairro do Colubande, São Gonçalo, RJ, excepcionalmente numa região inteiramente urbanizada, predominando conglomerados de residências particulares, condomínios fechados e ínfimos comércios locais.

Neste Colégio pratiquei dois períodos de Estágio Supervisionado de Licenciatura de Geografia- UERJ, 2018. Todavia. o que despertou minha curiosidade foi o interesse, a respeito da Professora Antonieta Palmeira. Logo me deparei com fragmentos da sua História, pois não há registros. O pouco que consegui foram relatos de pessoas ligadas ao educandário relatando que o terreno foi doação da Professora Antonieta Palmeira. No entanto, há uma placa (09/07/1966) na própria Escola atribuindo ao senhor Miguel Sayer.

Tentei saber mais sobre a biografia da Professora Antonieta Palmeira, no entanto o máximo que consegui foi apenas a respectiva foto e uma homenagem póstuma ao título conhecido no Diário Oficial de 11 de agosto de 1966 que somente menciona os 32 anos que a Professora Primária Antonieta Palmeira, dedicou-se ao magistério primário, como pioneira no campo da assistência social numa região que ainda não estava inteiramente tomada pelo urbanismo. O então Governador do antigo Estado do Rio de Janeiro, Paulo Francisco Torres, por decreto denominou o Grupo Escolar de 4ª categoria a denominação de Professora Antonieta Palmeira.

Na data de 20 de abril de 2001 o Governador Anthony Garotinho por decreto transforma em Colégio Estadual Professora Antonieta Palmeira (CEPAP)..

Diligenciei (2018) uma especulação sobre a ilustre Professora Antonieta, na Biblioteca Municipal de São Gonçalo, porém não há nenhuma publicação.

Atualmente (2020) o Colégio atende alunos do Ensino Fundamental; Ensino Médio e Ensino Médio EJA. Diligencia em três turnos: manhã, tarde e noite.


Professora Antonieta Palmeira



Há certas figuras, o tempo não apaga, 

mesmo que não tenha conseguido riqueza

material, porém, construiu sua notável saga.

Tempos difíceis, explicação com franqueza.


Assim permanece nos corações e afaga

gerações que buscam livros sobre a mesa.

Despertando objetivo, concedendo vaga

sala de aula, manter ideal com certeza.


Nossa Professora Antonieta Palmeira,

fundou escola primária espaço ermo

aspecto rural, conseguiu erguer bandeira.


Quantos formandos dos portões estrada poeira,

colheram seu íntegro saber sem meio-termo?

Docente que nos deixou sua força pioneira!


Maurício Matos Cunha

13/05/2020


Pátio e salas de aula - Crédito: Maurício M. Cunha - 24/05/2018


Agradecimentos:

Diretor Geral Leonardo Coimbra

Diretora Adjunta Cíntia Silva Barboza

Professor de Geografia Rafael de Almeida Souza

Professora de Geografia Deise da Costa Brito







quinta-feira, 7 de maio de 2020

AFRO HERANÇA



Crédito: Maurício M. Cunha - setembro de 2018
Na imagem acima pátio interno da Fazenda do Colubandê, São Gonçalo, RJ. O círculo no formato de um poço era parte inferior onde os escravos ficavam alojados. Quando os senhores desejavam qualquer coisa bastava solicitar na referida abertura, os escravos escutavam e saiam por outra entrada, a fim de servir os donos. 
O ambiente embaixo era insalubre quase sem luminosidade diurna. Atualmente está Fazenda, o qual registra importante fase da História dos negros escravos no Brasil,  está abandonada. 

AFRO HERANÇA


O Brasil não seria está mistura atual,
sem os antepassados da terra africana.
Não vieram de forma casual e natural.
Aportaram como escravos, força tirana.

Ainda assim mantiveram tradição ritual,
das suas tribos de Gana, Angola, savana,...
Danças que expõem conexão sobrenatural,
aliviando bárbara vida desumana.

Desde período da monarquia colonial,
até hoje, às raízes d’África emana:
no carnaval, berimbau, arte artesanal,...

Privilégios da nossa alma cultural.
Miscigenou a demografia americana.
Portanto, não há mais divisão irracional.


Maurício Matos Cunha



Crédito: Maurício M. Cunha - novembro de 2017
Templo religioso Afro-brasileiro. Os nichos onde estão as imagens do sincretismo e antepassados foram escavados na própria argila do terreno.