sábado, 4 de abril de 2020

PONDERAÇÃO VERSUS CONTRASSENSO

O autor- Crédito: Maurício M. Cunha




PONDERAÇÃO VERSUS CONTRASSENSO



Nestes tempos de certezas e incertezas o comportamento humano é demasiado intrincado. O mundo enfrenta uma poderosa afecção que ultrapassou todas as fronteiras territoriais humana e não escolhe vítimas.
E o que estamos fazendo diante de pujante “inimigo”?

Essa indagação pode ser dividida em duas respostas antagônicas, ou seja, duas palavras: “Cuidado” e “menosprezo”. Termos que estão num momento tão crucial medindo forças como uma competição de cabo de guerra.

Os “Cuidados” estão materializados nas medidas urgentes de Órgãos da Saúde que tentam frear a escalada progressiva de ataque do COVID-19. Enquanto que o “Menosprezo” é o maior aliado do Coronavírus.

Estes dois sentidos (divergentes) estão atrelados a posicionamentos com múltiplas interpretações, os quais defendem lados diferentes: “vida” e “morte”. Nestes limites não existem unanimidades.

Estamos num front, no entanto as nossas trincheiras estão tomadas por ideais heterogêneos. Ainda não temos uma arma capaz de destruir totalmente o COVID-19. Logo a única estratégia é impedir o seu avanço oportunista, isto é, contágio. Todavia, existem resistências que abaixam as pontes levadiças e deixam o inimigo passar e desta forma se multiplicam dentro dos nossos castelos. Age como na “Guerra de Troia”, poema épico de Homero (séc. VIII a.C.), que relata a conquista de Troia, cidade fortificada que perdeu sua defesa quando foi rompida pelos soldados gregos que estavam ocultos na barriga de um imenso cavalo de madeira.

O coronavírus assim como outros vírus sempre se beneficiaram do despreparo das sociedades. Se vale do desmazelo de grande parte da população que desconsideram comportamentos de higiene pessoal e extensivo a vários grupos sociais. Lavar as mãos, por exemplo é um ato tão simples, no entanto muito ignorado. E comum assistir pessoas manipular seu próprio alimento sem se importar com asseio da própria mão.

Mas há outras incertezas sobre o vírus os quais atribuem supostas declarações, infelizmente até mesmo de profissionais da saúde, que certificam que o coronavírus irá embora a qualquer momento. Baseiam-se em teorias infundadas e conceitos fantásticos sem bases científicas. Brotam a todo instante, tais quais ervas daninhas na agricultura. Entre tantas que no Brasil não será tão devastador por causa do nosso clima mais elevado em relação aos países do Hemisfério Norte.

O que muitos não entendem ou se recusam a compreender é a capacidade de mutação genética destes diminutos agentes infecciosos. Lembrando que o coronavírus sempre existiu em diversas espécies animais, inclusive nos humanos. O coronavírus não apareceu de repente ou foi “criado” em laboratório e disseminado na cidade de Wuhan, China. Estudos apontam que as cepas vieram de animais exóticos que estiveram com muito contato humano. Mas ainda não estabeleceram qual animal: cobras? Morcegos? Pangolins?….

No âmbito de um pensamento otimista vencemos batalhas epidemiológicas no passado. Porém, indefinidamente à custa de milhares de vidas perdidas. E o que estamos vivenciando atualmente. Estamos numa Guerra contra um inimigo que não tem alma, não é considerado um organismo. É um parasita que toma conta de células e se multiplicam em poucas horas e dias depois as defesas do corpo perdem energia. Vítimas que carregam complicações de saúde e em grande número àquelas cuja existência ultrapassou os sessenta anos de idade. Cadência de sermos presenteados no amanhã com um novo quadro na versão de Pieter Brueggel, o Velho, “O triunfo da Morte” (1562).

Culpar somente o Coronavírus? Ou simplesmente desprezar que se tornou uma pandemia? Ou viajar nos fakes? Ou acreditar que foi uma conspiração da China, a fim de fortalecer sua economia e assim enfraquecer as economias de vários países? Admitir a ideia de um líder eleito que insiste em dizer que é exagero da mídia? Larguear que as empresas falirão e aumentará o desemprego?… Consequentemente essas indagações e outras paralelas afunilam para o caos que estamos enfrentando e talvez se tornará mais difícil transpassarmos, assim afirmam os infectologistas baseado nas evidências de estudos gráficos que projetam picos em países onde a curva do avanço do COVID-19, ainda está em ascensão, como por exemplo, o Brasil. Em suma, alheio a essas respostas e entendimentos pífios, o coronavírus avança assustadoramente, ceifando vidas de pessoas em nosso país e milhares no mundo.

Enfim, não é o momento de ficarmos divididos entre defender a economia e abandonar a vida e vice-versa. “A esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida” (Provérbios 13:12). Assim sendo, necessitamos reger um enfrentamento absoluto. Absorver união e prevalecer a conscientização geral. Interesses individuais e coletivos devem ser mesurados, a fim de amainar incertezas, erguer esperanças e frear os óbitos. Governos, população, cientistas e economias, precisam se entender acima de todas as divergências partidárias, políticas, religiosas e econômicas. Isto posto, VENCEREMOS!

Maurício Matos Cunha




Nenhum comentário:

Postar um comentário