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| O autor- Crédito: Maurício M. Cunha |
PONDERAÇÃO VERSUS
CONTRASSENSO
Nestes tempos de certezas e incertezas o comportamento humano é
demasiado intrincado. O mundo enfrenta uma poderosa afecção que
ultrapassou todas as fronteiras territoriais humana e não escolhe
vítimas.
E o que estamos fazendo diante de pujante “inimigo”?
Essa indagação pode ser dividida em duas respostas antagônicas, ou
seja, duas palavras: “Cuidado” e “menosprezo”. Termos que
estão num momento tão crucial medindo forças como uma competição
de cabo de guerra.
Os “Cuidados” estão materializados nas medidas urgentes de
Órgãos da Saúde que tentam frear a escalada progressiva de ataque
do COVID-19. Enquanto que o “Menosprezo” é o maior aliado do
Coronavírus.
Estes dois sentidos (divergentes) estão atrelados a posicionamentos
com múltiplas interpretações, os quais defendem lados diferentes:
“vida” e “morte”. Nestes limites não existem unanimidades.
Estamos num front, no entanto as nossas trincheiras estão
tomadas por ideais heterogêneos. Ainda não temos uma arma capaz de
destruir totalmente o COVID-19. Logo a única estratégia é impedir
o seu avanço oportunista, isto é, contágio. Todavia, existem
resistências que abaixam as pontes levadiças e deixam o inimigo
passar e desta forma se multiplicam dentro dos nossos castelos. Age
como na “Guerra de Troia”, poema épico de Homero (séc. VIII
a.C.), que relata a conquista de Troia, cidade fortificada que perdeu
sua defesa quando foi rompida pelos soldados gregos que estavam
ocultos na barriga de um imenso cavalo de madeira.
O coronavírus assim como outros vírus sempre se beneficiaram do
despreparo das sociedades. Se vale do desmazelo de grande parte da
população que desconsideram comportamentos de higiene pessoal e
extensivo a vários grupos sociais. Lavar as mãos, por exemplo é um
ato tão simples, no entanto muito ignorado. E comum assistir pessoas
manipular seu próprio alimento sem se importar com asseio da própria
mão.
Mas há outras incertezas sobre o vírus os quais atribuem supostas
declarações, infelizmente até mesmo de profissionais da saúde,
que certificam que o coronavírus irá embora a qualquer momento.
Baseiam-se em teorias infundadas e conceitos fantásticos sem bases
científicas. Brotam a todo instante, tais quais ervas daninhas na
agricultura. Entre tantas que no Brasil não será tão devastador
por causa do nosso clima mais elevado em relação aos países do
Hemisfério Norte.
O que muitos não entendem ou se recusam a compreender é a
capacidade de mutação genética destes diminutos agentes
infecciosos. Lembrando que o coronavírus sempre existiu em diversas
espécies animais, inclusive nos humanos. O coronavírus não
apareceu de repente ou foi “criado” em laboratório e disseminado
na cidade de Wuhan, China. Estudos apontam que as cepas vieram de
animais exóticos que estiveram com muito contato humano. Mas ainda
não estabeleceram qual animal: cobras? Morcegos? Pangolins?….
No âmbito de um pensamento otimista vencemos batalhas
epidemiológicas no passado. Porém, indefinidamente à custa de
milhares de vidas perdidas. E o que estamos vivenciando atualmente.
Estamos numa Guerra contra um inimigo que não tem alma, não é
considerado um organismo. É um parasita que toma conta de células e
se multiplicam em poucas horas e dias depois as defesas do corpo
perdem energia. Vítimas que carregam complicações de saúde e em
grande número àquelas cuja existência ultrapassou os sessenta anos
de idade. Cadência de sermos presenteados no amanhã com um novo
quadro na versão de Pieter Brueggel, o Velho, “O triunfo da
Morte” (1562).
Culpar somente o Coronavírus? Ou simplesmente desprezar que se
tornou uma pandemia? Ou viajar nos fakes?
Ou acreditar que foi uma conspiração da China, a fim de fortalecer
sua economia e assim enfraquecer as economias de vários países?
Admitir a ideia de um líder eleito que insiste em dizer que é
exagero da mídia? Larguear que as empresas falirão e aumentará o
desemprego?… Consequentemente essas indagações e outras paralelas
afunilam para o caos que estamos enfrentando e talvez se tornará
mais difícil transpassarmos, assim afirmam os infectologistas
baseado nas evidências de estudos gráficos que projetam picos em
países onde a curva do avanço do COVID-19, ainda está em ascensão,
como por exemplo, o Brasil. Em suma, alheio a essas respostas e
entendimentos pífios, o coronavírus avança assustadoramente,
ceifando vidas de pessoas em nosso país e milhares no mundo.
Enfim, não é o momento de ficarmos divididos entre defender a
economia e abandonar a vida e vice-versa. “A esperança demorada
enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida”
(Provérbios 13:12). Assim sendo, necessitamos reger um enfrentamento
absoluto. Absorver união e prevalecer a conscientização geral.
Interesses individuais e coletivos devem ser mesurados, a fim de
amainar incertezas, erguer esperanças e frear os óbitos. Governos,
população, cientistas e economias, precisam se entender acima de
todas as divergências partidárias, políticas, religiosas e
econômicas. Isto posto, VENCEREMOS!
Maurício Matos Cunha

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