segunda-feira, 20 de abril de 2020

RETORNO DE LUIZ, 1946 - (Luiz Gonzaga, músico)





Crédito: Maurício M. Cunha
Ano: 1929, o cantor, LUIZ GONZAGA, com 17 anos, enamorou-se por uma jovem da localidade (Exu, PE), namoro não aprovado pelo pai da moça que julgava Luiz um zé-ninguém. Levou uma surra da própria família ao saber que namorava escondido. O pai da moça queria matá-lo, pois “desonrou” a filha. Luiz fugiu (1930) para Fortaleza, se alista no Exército e permanece 16 anos sem contato com a sua família.
O poema “RETORNO DE LUIZ, 1946” (Maurício Matos Cunha), revive o regresso do consagrado cantor nordestino, numa determinada madrugada. Antes, segundo o autor, sua irmã RAIMUNDA MUNIZ, pressentia este retorno, por isso a ansiedade da espera (1º verso). O pai JANUÁRIO, mais comedido (4º verso) e a mãe ANA, se emociona no reencontro (11º verso).



RETORNO DE LUIZ 1946


Raimunda não parava de espiar da janela.
Às vezes abria a porta tirando a tramela.
Predizia: Mano chegará com novidade.
O pai Januário lhe dizia cruel verdade,

Com brado de ralho: Para dessa cautela!
Brusca noite não estava de sentinela,
Um chamado... Luiz Gonzaga?... Perplexidade.
Chegou vindo do Rio de Janeiro, saudade.


Todos acordam de pés descalços no piso.
A noite do Sertão se torna emoção.
Ana, mãe soluça…. Lembranças de montão.

Irmã Muniz o abraçou com belo sorriso.
Escuridão perde colossal solidão,
Todos felizes próximo do Rei do Baião.


Maurício Matos Cunha


Luiz Gonzaga do Nascimento, compositor e cantor (1912 – 1989), conhecido em todo o Brasil como “Rei do Baião”, tornou-se célebre ao levar a cultura popular do nordeste (baião, xaxado, xote e o forro pé de serra). Cantava acompanhado da sanfona, zabumba e triângulo.




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