domingo, 9 de agosto de 2015

Lágrimas por uma vida


Lágrimas por uma vida
Prêmio de Edição
e
Publicação no Livro de Antologia: BALCÃO DE POESIAS
 1992  
Editora Litteris





Imagem ilustrativa: Crédito: Maurício M. Cunha


Lágrimas por uma vida


A menina tinha apenas três aninhos,

compreendeu que a árvore é bonita

Ficou contemplando somente os galhinhos,

e quase imóvel comparou com sua fita.


Uma branca com bolinhas cor do céu.

Lembrou foi ali que mostrou aos amiguinhos,

com alegria chupando balas de mel,

perto daquela árvore, cheia de raminhos.


Não muito longe estava um ecologista

admirando-a reflexivo, mas, radiante…

Àquela árvore espelhando, linda vista.


O homem, a menina, não eram parentes.

Mas, harmonizavam-se naquele instante.

Com muitos transeuntes absortos, ausentes.



Imponente, majestosa, velha mangueira…

Era àquela árvore no centro da praça

Jubilosa, ingênita na sua maneira.

Ainda transmitia uma deslumbrante graça.


O ecologista que via à árvore foi embora.

A menina brincou com um cão de raça,

também se foi junto com uma senhora

ficando a mangueira muito só… na praça.


Fez o ecologista d’árvore: Razão.

Sentiu a menina naquele instante: Amor.

Um doce infantil amor sem reflexão.


Dias depois, a sensível menina chora…

Vê o ecologista com muita dor

A mangueira caída, seu tronco uma tora.




* * *

Maurício Matos Cunha

Neves, São Gonçalo, RJ, 1991.




No ano de 2012, vinte e um anos depois da inspiração dessa poesia, a Prefeitura de Manaus cortou uma grande mangueira no Largo de São Sebastião em frente a Casa das Artes, alegando que estava "doente", segundo assessoria haveria plantio de nova muda. As toras expostas causaram muita indignação nos manauaras.



Imagem ilustrativa - Crédito: Maurício M. Cunha

Tempos contemporâneos experimentamos criminosas queimadas na Floresta Amazônica, devastação da Mata Atlântica, destruição do Pantanal e tantos outras agressões à natureza. 
Meu coração chora ao saber que não deixaremos como Herança um belo e verdejante mundo de vida para nossos descendentes.
Eles irão nós culpar.
E estarão com absoluta razão.
Mauricio Matos Cunha 
04/06/2020


* Segundo dados do INPE até o primeiro semestre de 2020, o desmatamento na Floresta Amazônica subiu para 22% e a flexibilização de políticas contra os invasores, favorecem essas práticas ilegais.  
O biólogo Mario Moscatelli (06/06/2020), revelou que as construções irregulares nas Reservas de Matas Atlântica na Cidade do Rio de Janeiro, impactam a Preservação Ambiental e poluem a Lagoa da Barra da Tijuca, sem nenhum impedimento das autoridades competentes.

Reportagens sobre mangueira cortada em Manaus:




4 comentários:

  1. Lamentavelmente foi uma realidade. A prefeitura cortou em Manaus (2012) uma mangueira alegando que estava "doente". O certo seria replantar uma nova. Não sei se aconteceu... "Lágrimas por uma vida" - escrevi bem antes (1991), retrata esse acontecimento... Infelizmente.

    ResponderExcluir
  2. Li o poema. Com sentimentos que remete da alegria inocente para saudosa tristeza. Singelo, frágil e doce mas com realidade atemporal.
    PARABÉNS Maurício.

    * Infelizmente estamos sentindo toda a mudança que esta acontecendo no planeta por causa da agressão humana que impõe sem limites e falta de respeito com o meio ambiente a sua volta.
    Lamentável

    ResponderExcluir
  3. Esse seu trabalho vai entrar para aquele grupo de obras críticas, a exemplo das letras do Renato Russo: sempre atual, sempre necessária contra a reiterada desídia do Pode Público (e nossa também)!

    ResponderExcluir