quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Poema: Trabalho Noturno.






Crédito: Maurício M. Cunha

              Trabalho Noturno


Passam das vinte e quatro horas.
Ao redor deste mundo metálico,
um tempo de ébano compacto.

Frio ou calor no corpo cansado.
Várias atividades gastas.
Descanso longe... uma ilusão.

Esperança na Estrela-Amarela,
fuga desta atmosfera sofrida,
sonhos que se evaporam...

Busca imperfeita, interminável,
hórrida jornada, fatigante,
tudo resumido no papel-moeda.

Homens sacrificados neste ardor
Mulheres complacentes na solidão.
Noite triste... espíritos feridos.



Maurício Matos Cunha

São Gonçalo, Trindade, 12 de maio de 1982 – 0:0 hora 40 min.



Publicada no Livro de Antologia: Grandes Talentos I Editora Litteris – 1993. 




Imagem ilustrativa




Curiosidade:



- Composição inspirada quando o autor trabalhou na antiga e rematada Indústria Química Farmacêutica (GETEC) 1993. Depois se transferiu para outras empresas do mesmo ramo e horários com escalas similares onde trabalha no tempo noturno.




Certos escólios sobre a poesia: Trabalho Noturno:


- Primeiro verso: trata-se do período (horário).

- Segundo verso: citação ao local de trabalho (veja imagens ilustrativas).

- Terceiro verso: escuridão própria da noite.

- Quarto verso: estações climáticas, inverno ou verão.

- Sétimo verso: aguardando o dia chegar (Sol) Descanso.

- Oitavo verso: a fuga é o final do expediente. Atmosfera sofrida (atividade noturna).

- Nono verso: sonhos que se evaporam (vontade de estar numa cama dormindo).

- Décimo quarto verso: mulheres em suas casas sozinhas, longe dos seus homens queridos.

- Último verso: Uma implicação que atinge os dois (casal).




Imagem ilustrativa


Trabalho Noturno é uma homenagem a todos os trabalhadores que laboram no horário da noite. Motoristas, industriários, profissionais da saúde, etc...

Em particular sofremos durante o dia, pois as pessoas não compreendem que é o nosso momento de descanso. Não podemos fazer nada quando o vizinho coloca sua música  alta, o pedreiro começa a fazer barulho na obra ao lado, uma visita inesperada e até um telefone que toca... 
Somos acometidos por uma insuportável irritação de mau humor que poucos compreendem. Mas só queremos dormir num horário onde as maiorias estão despertadas.

Portanto, Trabalho Noturno não é uma poesia de cunho de revolta ao trabalho noturno. Evidência o horário fora do padrão normal-diurno, onde todos estão dormindo numa situação natural. Trata-se de uma condição imposta pela necessidade (12º verso) salário.


Maurício Matos Cunha



                         Imagem ilustrativa

2 comentários:

  1. Acredito que não Nilton. Nesta época o qual escrevi este poema ainda trabalhava na antiga GETEC/GEFAR. O horário era 22:00 às 6:00 da manhã.

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