Parque Estadual da Pedra Branca
![]() |
| Poço
rio principal – Certamente já possui um título – Ainda assim o autor batizou
como: Poço dos Acadêmicos de Geografia
– fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16. |
Localizado
na Zona Oeste "meio" do município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. O Parque
Estadual da Pedra Branca é
uma área de conservação ambiental. A vegetação predominante é típica de Mata
Atlântica. Cedros, jacarandás, jequitibás, ipês,... Tem o domínio de 12.500 hectares de extensão. Assim é classificada como a maior floresta
urbana do mundo.
![]() |
| http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-45132014000100077 |
O ponto culminante do Parque é o Pico da Pedra Branca, com
1 025 metros de altitude. Encontrar-se entre a divisa dos bairros de Jacarepaguá
e
Campo Grande. Mas pode ser avistado de outros
pontos: bairros de Campo Grande, Bangu e Baixada de Jacarepaguá.
A origem do nome “Pedra Branca” se deve a sua composição rochosa de feldspato, leucogranito. Portanto avistada ao longe assemelhar-se a uma imensa pedra branca.
A origem do nome “Pedra Branca” se deve a sua composição rochosa de feldspato, leucogranito. Portanto avistada ao longe assemelhar-se a uma imensa pedra branca.
Nossas visitações acadêmicas são direcionadas a GEOGRAFIA. Mas sempre aprendemos outras
peculiaridades que cada local oferece. No caso do Parque da Pedra Branca tivemos contato com a Comunidade Astrogilda Caminho do Cafunda. É um dos quatro quilombolas
que ainda existe no município do Rio. Sua origem é dos tempos dos escravos que
trabalhavam na cultura do café na Fazenda Vargem Grande.
Assim nossa visita além da Geomorfologia Continental, Geografia
Econômica, Geografia Agraria, Geografia da População Brasileira e Meio-Ambiente, ganhou uma parcela
considerável da História dos quilombolas.
* Não foi possível devido ao tempo curto extrair História de Astrogilda. O que se consegue compreender é os núcleos da Comunidade descendentes desta senhora.
Outras muito naturais e
escorregadias...
Uma linda gata ficou junto com o grupo...

Casa pertencente ao senhor Carmélio – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
* * *
1ª Parte
Neste dia (06/03/2016) eu havia
trabalhado a noite inteira. Passei rápido na minha casa e tomei dois copos de
café com pão e margarina. Precisava repor energia e espantar o cansaço e o sono.
Eu contava com a companhia de alguém para não ficar sozinho no carro dirigindo.
A colega Val por outros motivos não
pode ir. O Eduardo Gomes na véspera
me deixou na dúvida, pois estaria com problemas de condução.
Pouco antes de sair de
casa meu celular alarma. Era o Eduardo me
aguardando no Centro de Alcântara, São Gonçalo, RJ.
![]() |
| Local onde Eduardo me aguardava em Alcântara - https://www.google.com.br/search?q=alcantara+rjAdicionar legenda |
Não transcorreu nenhum
acidente, exceto meus clássicos erros de entradas em vias erradas. Desta vez
ocorreu apenas um descuido na saída da Avenida Francisco Bicalho. Mas logo
retornei à rota normal.
![]() |
Praça São Francisco Xavier – Tijuca – 1º ponto de encontro -
Na foto Mylene – fotografia:
06/03/16
|
No primeiro ponto de
encontro na Praça São Francisco Xavier, Tijuca, Rio de Janeiro, encontramos com:
Xande Durso, Mylene Castro e Humberto
Rodrigues. Todos acadêmicos de Geografia.
O menor grupo de
atividades de campo em Geografia que eu participei. Até os visitantes desta vez faltaram.
Vale lembrar que estes importantes eventos conduzidos pelo nosso colega Xande Durso solidificam tudo o que
aprendemos teoricamente.
É extraordinariamente uma verdadeira aula de intensa essência.
É extraordinariamente uma verdadeira aula de intensa essência.
Partimos para o segundo
e último ponto de encontro em Vargem Grande. Segui o carro de Humberto. Raramente vou à Zona Oeste do
Rio de Janeiro.
Estacionamos numa
pequena Praça em Vargem Grande. Esperava-nos somente David.
Ficamos aguardando por
determinado tempo possíveis atrasados. Aproveitei o intervalo e visitei uma
feirinha local de roupas. Os preços estavam bem convidativos.
Comprei uma blusa
feminina... Retornei... Ninguém apareceu...
Assim nosso grupo ficou
formado por seis pessoas.
Seguimos em frente...
Ao chegarmos...
David
interpretou que não era aquele local. E zarpou no seu carro rapidamente a
procura da “verdadeira” entrada. Xande
se informou com pessoas presentes que confirmaram estarmos no local certo.
Mas... Cadê David? Para onde foi?
Suspense...
Outros veículos
começaram a chegar inclusive um ônibus com membros evangélicos. Tentei
imaginar: O que irão realizar? Orar? Se batizar nas corredeiras do rio?...
Felizmente o impetuoso David retornou e estacionou seu carro
no local.
Reunimos-nos e tomamos a
direção do caminho de acesso ao quilombo Cafunda Astrogilda.
Xande mostrou o rio das
Paineiras. Água límpida sem sinais aparente de esgoto. Ainda assim considerei um
curso de água muito pequeno. Parecia um córrego sem nenhuma novidade. Adiante “ele”
o rio mudará completamente meu inconsiderado julgamento. Mostrando-se bonito e exuberante.

Placa de aviso contra colocação de apetrechos religiosos - Fotografia:
Alexandre Durso – 06/03/16.

Primeiro retrato
oficial com os integrantes da atividade de campo de GEOGRAFIA. Na foto esquerda
para direita: Eduardo; Mylene; Maurício (autor), Humberto;
David e Xande – fotografia: 06/03/16.
A preocupação com a
preservação do Meio Ambiente se faz presente. Logo no inicio notamos pendurada
num poste uma pequena placa improvisada advertindo contra o assentamento de
apetrechos religiosos na mata. Em outros locais encontraremos placas análogas.
Considero estas placas
de aviso muito importante. Geralmente estes utensílios deixados em “despachos”
são garrafas de vidros e outros materiais não biodegradáveis. Pondero que
divindades ou entidades existem de fato, porém independentes de ofertas
materiais.

Igualmente, eu admito
que grande parte dos adeptos se recuse abandonar às tradições herdadas dos seus
antepassados. Neste caso os principais líderes devem buscar junto aos órgãos
públicos uma área reservada e protegida somente para este fim com regras de
conscientização de preservação.

Garrafa abandonada
na mata - Provável de ter sido usada num
despacho religioso - Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/2016.
O caminho era subidas muito irregulares. Resultado dos
processos erosivos - Blocos de rochas encravados no solo argiloso salientavam
partes visíveis e serviam como “escadas”. Portanto oferecia pouco grau de
dificuldades.
![]() |
Foto: Humberto (esquerda) e Maurício (direita) na primeira trilha de subida - Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
|
Chegamos à placa indicativa do Parque. Fizemos nossa segunda
foto oficial. Desta vez sem o tradicional estandarte do Brasil. E muito menos
sem a bandeira do Flamengo que até hoje desapareceu... Será que o Caio sequestrou?
![]() |
| Segundo retrato oficial do grupo em frente da Placa que indica os limites do Parque – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16. |
Continuamos nossa
caminhada...
O calor era intenso.
Mas a mata nos recompensava com seu ar puro. Inclusive havia trechos de
aconchegantes sombras.
Enquanto caminhava
ouvindo conversas soltas dos meus colegas. Também "escutava" a mata. A floresta
“fala” de um modo especial. Não se tratava do sussurro do vento ou qualquer barulho
provocado por animais. Era um som inaudível que somente a alma é capaz de escutar.

Membros do grupo caminhando
na trilha – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
Alcançamos um ponto do
caminho possível de observar o morro do Capim Melado com seus 641 metros de
altitude. Uma vista com muitos adjetivos. Parece um portal da terra com o Céu
divino.
![]() |
Morro do Capim Melado avistado da trilha que dá acesso ao Largo do Gunza – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
|
Enfim chegamos à
entrada das propriedades (núcleos) Quilombola e poções de água do rio principal, aliás, já havíamos passado pelo primeiro núcleo do Juarez.
Qual nossa surpresa ao
avistarmos carros estacionados. Como chegaram?
Xande afirmou que na
última vez que esteve no local não havia aquela estrada alternativa.
Xande nós instruiu que
aquele local é conhecido como Vale do
Gunza. “Gunza” não e uma palavra do nosso vocabulário. Provavelmente foi o
sobrenome de uma pessoa ou uma palavra de origem africana.
O Vale do Gunza é um falso largo que dá acesso às entradas e saídas
para os córregos dos rios e a comunidade dos quilombolas.
Ao passear no local
distinguimos um delito contra a natureza. De acordo com informações a empresa que faz o recolhimento padrão separou do lixo comum, a fim de levar em outro transporte. Enquanto não ocorre está remoção lesa o lugar.
![]() |
| Um dos canais tributários que formam adiante o rio das Paineiras – Local: Vale do Gunza – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16. |
Retornamos e adentramos
no caminho indicado pelo senhor. Xande
se desculpou com o senhor que o alertou quanto ao seu engano.
Desta vez o caminho era
quase sempre paralelo ao rio. Assim ouvíamos a “música” que as águas entoavam.
Notei que nossos
caminhos estavam com muitos seixos bem redondos. Logo levantei a hipótese que
estávamos no antigo leito do rio. Todos concordaram. David completou que o rio procura os caminhos mais fáceis.
Ao longo de vários anos
o processo erosivo altera o curso do rio, sempre numa “linha” abaixo em relação
a anterior. Imaginei que daqui a milhares de anos o rio terá uma declividade
extremamente abrupta.

A vegetação
encobre boa parte dos seixos que estavam no antigo leito do rio principal. –
Integrantes do grupo fazendo poses para serem retratados – Fotografia:
06/03/16.
A trilha em
determinados trechos se parecia com as rotas de fuga dos escravos a caminho dos
quilombos. Nenhuma sinalização e envolvido pela mata.
Lembrei-me da aula de Geografia da População do Brasil onde
há referências dos peabirus, palavra de origem tupi-guarani, que quer dizer:
caminho de grama amassada. Uma diminuta via feita pelo pisoteio. Foram por estes
corredores que os bandeirantes alcançaram e exploraram o sertão brasileiro.

Curso de pisoteio
na trilha que fizeram o autor a lembrar-se dos peabirus. Fotografia: Alexandre
Durso – 06/03/16.
Enfim alcançamos um
local paradisíaco. Paramos para um bom descanso e apreciar a plenitude do local
onde uma paz abrandava nossas almas.


Membros do grupo
posando numa imensa rocha na margem do rio principal. Logo abaixo a ilusão de
tipitinga (águas turvas). Na verdade a água é muito transparente, tanto que se
enxerga o fundo do leito arenoso. – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
Depois da aconchegante
trégua retornamos a trilha. Muitos visitantes também seguiam para os poções
(piscinas naturais no rio, represadas com colocações pedras, porém, sem nenhuma fixação artificial).
Assim as águas transpõem as pedras fluentemente.
Às vezes encontrávamos
com grupos com suas motos de trilha. Também motoqueiros comuns isolados e
ciclistas nas suas montain bike.
Atingimos o Poço Licanor.
Desconheço porque leva este nome. Possivelmente homenageia um morador da Comunidade.
Desconheço porque leva este nome. Possivelmente homenageia um morador da Comunidade.
![]() |
| Entrada de acesso ao poço Licanor - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
Ninguém resistiu...
Todos entraram na água.
Estava fria, mas nossos corpos logo se acostumaram. Um momento de extremo
relaxamento muscular e reparo das tensões que recebemos na agitada vida urbana.
O meu cansaço de uma
noite de trabalho sem dormir extinguiram-se.

Poço Licanor – David, Xande e Mylene se
banhando – Fotografia: 06/03/16.
Apesar do esplendor do
local quis explorar outros locais do rio. Assim comecei a subir caminhando no
próprio leito.
Alcancei um poço onde encontrei um casal. Eles estavam tomando banho no rio e “curtindo” seus
“cigarrinhos” e bebendo champanhe.
Cumprimentamo-nos.
Elogiei a beleza que o
lugar proporcionava. Destacando a pequena queda d’água. O veranista me informou
que acima havia uma queda melhor. Agradeci a informação e rumei ao local. Sequer me
preocupei se meus colegas estavam preocupados com minha subida ausência.


Queda d’água onde
encontrei o casal – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
De fato ele estava com
absoluta razão era um lugar fantástico. Sem a presença de nenhum banhista.
Refresquei-me e retornei pelo mesmo percurso a fim de contar a novidade aos
meus colegas.

Cascatinha no
inicio do poço dos “Acadêmicos de Geografia” – A esquerda uma gruda explorada
pelo autor que dá acesso a jusante do rio – Fotografia: Alexandre Durso –
06/03/16.
Xande foi o primeiro a
me seguir. Passamos outra vez pelo casal “fumacê”. Xande encantou-se de imediato. Mas lamentou não estar com a câmera.
Retornei com intuito de trazer a câmera e o restante do nosso grupo. Aliás,
eles haviam parado no poço do casal “numa boa”. Pensaram que era o local o
qual havia relatado.
Mylene até gostou quando
expus que não era aquele poço.
- Que bom acho que estávamos cortando o “barato” deste casal – ela comentou.
- Verdade... Mais de
cinco minutos aqui ficarei doidão – comentei
brincando.

No espaço onde os
raios solares incidem se enxerga o fundo do rio – Local: poço dos “Acadêmicos
de Geografia” – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/2015.
O primeiro poço Xande nos informou que se chamava Poço das Antas. Os outros acima quais
as suas nomeações? Caso não haja batismos... Eu batizei o poço o qual desfrutamos
memoráveis momentos de: “Acadêmicos de Geografia”.
![]() |
Poço dos “Acadêmicos de Geografia” – Membros se banhando – Fotografia: 06/03/16.
|
Mylene banhando-se na
cascata do poço dos “Acadêmicos de Geografia”.

Mylene se refrescando numa
hidromassagem natural - Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
O poço dos “Acadêmicos
de Geografia” tem uma peculiaridade pouco encontrada nos demais poços, os quais visitamos.
Possuiu características provocadas pela erosão do rio. Diminuta caverna e cavas
que dão acesso a partes superiores da floresta e do rio. Adentrei nestes locais a
fim de explorar. Na caverna apesar de eu estar dentro da água tomei o cuidado
de não encontrar um escorpião, aranha ou outro animal perigoso.
![]() |
Nota-se um vulto
no interior da caverna no poço dos “Acadêmicos de Geografia”. Um fantasma? Não. Era o autor “investigador” –
Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
|
Os demais adentraram
com certo receio e um por um registrou sua fotos.
![]() |
Xande na entrada da
caverna – Fotografia: 06/03/16.
|
Ficamos desfrutando do
ambiente no mais profundo relaxamento...
![]() |
David no poço dos
“Acadêmicos de Geografia” incorporando o personagem Henri Jones, JR – personagem dos filmes Indiana Jones. David
está com o chapéu falta o chicote e o revolver. – Fotografia: Alexandre Durso –
06/03/16.
|
Aquele ambiente proporcionado pelo poço dos "Acadêmicos de Geografia" estava muito reconfortante.
Todavia... Teríamos que prosseguir.
Retornar pelo rio seria muito demorado. Adentrei no mato a fim de encontrar a trilha. Ouvi vozes e em seguida visitantes caminhando a certa distância. Conclui que era só seguir em linha reta e alcançaríamos a trilha. O problema eram os obstáculos. Imensas rochas, plantas entrelaçadas, espinhos e...
Todavia... Teríamos que prosseguir.
Retornar pelo rio seria muito demorado. Adentrei no mato a fim de encontrar a trilha. Ouvi vozes e em seguida visitantes caminhando a certa distância. Conclui que era só seguir em linha reta e alcançaríamos a trilha. O problema eram os obstáculos. Imensas rochas, plantas entrelaçadas, espinhos e...
Um ataque de abelhas ou
vespas?...
Eu passei pelo local e
atrás de mim Mylene. Sabe se lá como
ela esbarrou num galho que deve ter tocado numa colmeia. De repente eu e Mylene estávamos sob um ataque feroz
desses insetos.
De imediato ordenei que
ela ficasse bem quieta e imóvel. Ela se abaixou e eu permaneci um pouco
encurvado. Ela gritava, mas ouvia minha ordem.
- Fica quieta! Fica quieta! Fica quieta!...
Havia mais de meia dúzia de "abelhas" nos cabelos
da Mylene. Os demais colegas nada
puderam fazer diante da inusitada situação. Nossa imobilidade funcionou e as "abelhas" pararam de nos atacar.
Levei apenas uma picada
no braço direito. Mylene umas cinco.
Ficou preocupada com seu rosto.
Por ironia, depois
deste incidente David encontrou a trilha de acesso a principal. Tarde demais...
Mylene ficou apreensiva
quanto a uma reação alérgica. Xande trazia
consigo uma garrafa de álcool.
Retornamos e Mylene não escapou das nossas piadas.
- Quanto você pesa Mylene?
– indagou David sarcasticamente.
Felizmente não ocorreu
nenhuma reação alérgica com nossa colega. Apenas marcas avermelhadas.
Aprendi que no próximo
evento é fundamental levar um kit de
primeiros socorros.
* Mais adiante eu pedi desculpas a Mylene pela minha rigidez naquele momento tão crucial. Diante de um ataque de abelhas só temos duas alternativas ficar quietos protegendo os olhos e ouvidos ou mergulhar na água. Estávamos próximo do rio, mas havia muitos obstáculos. Rochas e plantas. Ainda bem que não precisei arrastar Mylene até o rio.
* Mais adiante eu pedi desculpas a Mylene pela minha rigidez naquele momento tão crucial. Diante de um ataque de abelhas só temos duas alternativas ficar quietos protegendo os olhos e ouvidos ou mergulhar na água. Estávamos próximo do rio, mas havia muitos obstáculos. Rochas e plantas. Ainda bem que não precisei arrastar Mylene até o rio.
Passamos pela entrada
do poço Licanor e notamos uma
pequena barraquinha de comércio ambulante.
Geografia Econômica se
fazendo presente, porém se estabelecendo de modo errático. Tratando-se de uma
localidade pública e protegida por Lei necessitam (vendedores) de uma autorização
oficial.
E o resultado ambiental?
Estão orientando seus
clientes sobre não descartar as embalagens no local? Recolherão os invólucros dos produtos
consumidos pelos compradores?...

Vendas irregulares de produtos alimentares nas
proximidades do Poço Licanor – Fotografia: Alexandre Durso – 06/3/16.
2ª Parte
Comunidade dos Quilombolas
Chegamos outra vez no Vale do Gunza. Nosso propósito era
visitar os núcleos que compõem a comunidade quilombola.
Mylene estava preocupada com aparência do seu rosto depois do ataque das "abelhas". Afirmei que estava intacto. Ela continuou receosa.
- Porque não se mira num desses espelhos retrovisores de um desses carros estacionados? - sugeri.
Ela imediatamente aceitou. Retornou aliviada.
Mylene estava preocupada com aparência do seu rosto depois do ataque das "abelhas". Afirmei que estava intacto. Ela continuou receosa.
- Porque não se mira num desses espelhos retrovisores de um desses carros estacionados? - sugeri.
Ela imediatamente aceitou. Retornou aliviada.
![]() |
Vale do Gunza – Em primeiro plano Humberto usando o celular.
|
Destaque da placa...
![]() |
| Fotografia: Alexandre Duirso - 06/03/16. |
* Não foi possível devido ao tempo curto extrair História de Astrogilda. O que se consegue compreender é os núcleos da Comunidade descendentes desta senhora.
“Caminho do cafunda” – Por assimilação de palavras “cafundó” quer dizer lugar ermo e distante, comumente localidade entre montanhas.
De fato a comunidade está situada na zona de uma mata. Talvez este seja o significado.
Tomamos rumo.
Encontramos o núcleo da comunidade Astrogilda...
No portão de entrada Xande tocou um sino. Parecia uma
criança se divertindo com um brinquedo novo. Ninguém apareceu para atendê-lo. Mas recebeu um sinal de alguém ao longe para entrar. Assim ele adentrou acompanhado de um
dos nossos colegas.
Ficamos aguardando Xande retornar com uma autorização de fato.
Uma senhora da
comunidade passou por mim vestindo uma camisa do Flamengo. É claro que foi
elogiada.
Enquanto esperava...
Fui aguçado pelo
espírito da curiosidade e tomei a direção de um local onde a vegetação natural
foi recentemente roçada. Um provedor do rio principal que adiante formará o rio
das Paineiras. Passava bem próximo. Mas estava quase totalmente encoberto por
grandes rochas tomadas por diminutas plantas. Só era possível escutar o marulhar das águas. E o local não oferecia segurança em decorrência da interferência antropomórfica. No local
onde eu estava assistia uma cena deprimente. Mostrava-se de modo cruel. Havia carcaças de
geladeiras, televisores, armários e outras quinquilharias imprestáveis, ou seja, um perigoso depósito de lixo às escondidas.
Afastei-me chocado.
Xande retornou com a
aceitação de nossa presença na comunidade.
Não subimos de imediato. Esperamos Mylene que... Não sei aonde estava...
Logo ela retornou e fomos subindo... Passamos por uma casa onde o chão do quintal estava atapetado com flores de jambo.
Não subimos de imediato. Esperamos Mylene que... Não sei aonde estava...
Logo ela retornou e fomos subindo... Passamos por uma casa onde o chão do quintal estava atapetado com flores de jambo.
![]() |
| Quintal de uma
casa dos descendentes dos quilombolas coberto de flores de jambo – Fotografia:
Alexandre Durso – 06/316. |
Um botequim...
Um santuário.

A religiosidade católica
herdada dos antepassados – Santuário fixado numa rocha na propriedade de uma das
casas – Fotografia: Alexandre Durso – 06803/16.
Atingimos o centro do
sítio. Casas se espalhavam naquele espaço.
![]() |
| Quintal de uma das casas - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
Quem nos recebeu foi um dos descendentes dos quilombolas. Sandro neto da senhora Astrogilda. Falou que todos os habitantes locais são
da mesma raiz.
Naquele instante alguns descendentes estavam reunidos. Ponderavam sobre a memória dos quilombolas. Destacou utensílios que estão se perdendo por falta de localidade apropriada e sem receber zelo mais definido.
Naquele instante alguns descendentes estavam reunidos. Ponderavam sobre a memória dos quilombolas. Destacou utensílios que estão se perdendo por falta de localidade apropriada e sem receber zelo mais definido.
![]() |
Membros do grupo ao lado de Sandro (camisa branca) – Fotografia: 06/03/16.
|
Sandro explicou que não
é permitida nenhuma construção no Parque. Portanto buscam uma futura solução, quem sabe um alvará. Assim poderão mostrar a História da Comunidade desde tempos remotos até os dias atuais.
No dia estava presente a antropóloga Stella. Uma estudiosa sobre a comunidade.
Stella e de poucas
palavras. Percebi que carrega um sotaque estrangeiro. Indaguei a sua nacionalidade. Respondeu-me
que era colombiana. E está há dez anos no Brasil. Em breve divulgará um trabalho técnico-científico-cultural no domínio da antropologia relacionado com a Comunidade dos Quilombolas. Leva tão a sério seu desígnio que chegou a residir na comunidade por
conta deste trabalho de antropologia.
Ao ver meu interesse Stella indagou se eu era geografo. Contei que ainda era estudante. Troquei outras rápidas palavras com a reservada Stella.
Despedi-me da Stella elogiando seu trabalho. Ela sorriu em agradecimento e se ocupou em tirar fotografias.
Despedi-me da Stella elogiando seu trabalho. Ela sorriu em agradecimento e se ocupou em tirar fotografias.
Saímos do local...
Enquanto meus colegas
seguiam em frente eu colhia duas apetitosas goiabas.
Detivemos-nos na primeira casa. Encontrava-se na varanda um riquíssimo
acervo de livros e objetos.
Ficamos a vontade ninguém apareceu para dar esclarecimentos.
Ficamos a vontade ninguém apareceu para dar esclarecimentos.
![]() |
| Objetos antigos e livros que "guardam" Histórias a espera de um local apropriado. - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
Livros recentes e antigos se misturavam. Alguns didáticos outros de ficção. Rádios, máquina de escrever, costurar, moedor a manivela,... Certamente guardam
histórias dos seus antigos donos.
![]() |
| Fotografia: Alexandre Durso - 06/0316. |
Comportamo-nos como
adolescentes visitando um Museu pela primeira vez. A unica diferença que tocávamos naquelas relíquias preciosas.
![]() |
| Livros raro e antigo de GEOGRAFIA - Fotografia Alexandre Durso - 06/03/16. |
Contemplei as
publicações e na condição de escritor imaginei um dos meus livros de ficção ou quem sabe um livro de GEOGRAFIA naquele
local...
![]() |
| Outro livro antigo de GEOGRAFIA encontrado pelo Grupo - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
Peguei o livro: O Exorcista do escritor Willianm Peter
Blatty. Lembrei-me do sucesso do filme. Enquanto isso meus colegas ficaram
extasiados com descobertas da nossa categoria.
![]() |
| Xande diante de uma antiga Capelinha de santo - Nota-se imagens e retratos de santos católicos - Fotografia: 06/0316. |
Descobrimos um pequeno
compartimento com uma antiga capelinha preservando imagens e retratos de santos
católicos.
No interior do
compartimento da capelinha de santo, à direita, encontrava-se a imagem bem
preservada de um Preto Velho, entidade cultuada no cerimonial de Umbanda.
Ostentava serenidade e o modo sábio dos tempos vividos na escravidão.
Havia indícios que ainda estava sendo cultuada. Geralmente são tratados respeitosamente como "pai" seguido de um nome e até mesmo da sua origem. Por exemplo, "pai Benedito d'Angola".
Havia indícios que ainda estava sendo cultuada. Geralmente são tratados respeitosamente como "pai" seguido de um nome e até mesmo da sua origem. Por exemplo, "pai Benedito d'Angola".
Contemplei
reflexivamente aquela imagem que traduzia uma LONGA HISTÓRIA QUE JAMAIS SERÁ
NARRADA INTEIRAMENTE. Assim tive a
certeza que muitos negros fenecidos do quilombola não legaram suas reservadas
tradições.
![]() |
| Imagem bem preservada de uma representação de um Preto Velho - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
Deixamos o local... Com
a "proteção" dos santos e do Preto Velho.

Varanda da casa
onde encontramos os livros, objetos antigos, capelinha de santo e o solene Preto
Velho. – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
Nossa última
peregrinação era visitar o sítio do senhor Carmélio. Dias antes estava
internado. Mas soubemos que se encontrava na sua casa.
A propriedade do senhor
Carmélio é a mais afastada do quilombola. Bem entranhada na mata. Tivemos que
vencer muitas subidas em bom estado...
![]() |
| Inicio da subida de acesso ao sítio do senhor Carmélio - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/2016. |
No caminho desde o inicio da nossa jornada a
GEOMORFOLOGIA Continental se apresentava...

![]() |
| Acentuado processo erosivo - Fotografia: Alexandre Durso - 06/3/16. |

Rocha em processo
de clivagem e fractura – fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
![]() |
| O Canal principal entre condicionantes na litoestruturais - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
![]() |
| Processo de ravina - encontrado na trilha - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/2016. |
Às vezes deparávamos com
subidas íngremes. Ocasionalmente passava um motociclista em alta velocidade. Aprendemos
que ao escutar o barulho de qualquer moto era mais seguro ir para o canto do
caminho.
Finalmente chegamos à
entrada da casa do senhor Carmélio.
Parodiando o célebre
poema "No meio do caminho" de Carlos Drummond de Andrade:
No meio do caminho
tinha um cavalo (pedra)
Tinha um cavalo no meio do caminho
Tinha um cavalo
No meio do caminho
tinha um cavalo.
Nunca me esquecerei
desse acontecimento
Na vida de minhas
retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei de
que no meio do caminho
Tinha um cavalo
Tinha um cavalo no meio do caminho
No meio do caminho
tinha um cavalo.
Na
poesia Drummond exprime que jamais conseguiu ultrapassar a pedra no intuído de
um interesse pessoal. A “pedra” da poesia representa os obstáculos que a vida
nos oferece. Todavia se Drummond tivesse David por perto certamente o final da sua composição poética seria diferente. David se aproximou do corcel e pegou a corda a fim de manejar o animal e liberar a via.
Xande passou rápido na frente do equídeo.
O cavalo concedeu meio giro. Mylene recuou para trás e atolou seu
calçado no cocô de cavalo. É claro que ela não escapou das piadas de Humberto e do sarcástico riso de Eduardo. Atravessei e fiz uma rápido afago na testa do quadrupede.
Os demais atravessaram... O
animal era muito dócil.

David desta vez se tornou um caubói abrindo uma passagem para passarmos. – Xande já havia atravessado – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
O núcleo do senhor Carmélio está situado numa parte muito
alta em relação aos núcleos que atravessamos e visitamos. Ele ficou feliz com nossa visita.
Fez questão de mostrar um pequeno recipiente transparente onde armazenava a pedra que foi retirada do seu rim.
Xande rememorou a
última visita. O banho de banheira,...
Um por um tirou foto ao lado do proprietário que guarda muitas Histórias.
Eu estava exausto... Procedente direto do trabalho noturno, sem dormir,... Fiquei um pouco afastado sentado numa pedra. Não ouvia o que Xande e meus colegas conversavam com o senhor Carmélio.
Apenas observava um cano que jorrava continuamente água vinda do alto do morro. Sem se preocupar com origem daquela água, minutos depois, provei aquele refrescante líquido natural.
Um por um tirou foto ao lado do proprietário que guarda muitas Histórias.
Eu estava exausto... Procedente direto do trabalho noturno, sem dormir,... Fiquei um pouco afastado sentado numa pedra. Não ouvia o que Xande e meus colegas conversavam com o senhor Carmélio.
Apenas observava um cano que jorrava continuamente água vinda do alto do morro. Sem se preocupar com origem daquela água, minutos depois, provei aquele refrescante líquido natural.
Aproximei-me para ser
fotografado ao lado do senhor Carmélio.

Senhor Carmélio, o autor no centro e uma
senhora – Fotografia: Alexandre Durso – 06/3/16.
Notei que residia numa
casa muito humilde. Inclusive havia peças bem antigas no interior da sua residência.
Apesar da sua idade
estava bem humorado.

Cadela próxima da
casa do senhor Carmélio. – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/16.
![]() |
| Geografia agraria - Plantações de caquis e bananeiras no sítio do senhor Carmélio - agricultura de subsistência - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/2016. |
Despedimos-nos do senhor
Carmélio.
Empreendemos nosso
retorno...
Fizemos uma parada em frente do
botequim.
Xande entrou no bar e sozinho bebeu uma garrafa de cerveja.
Xande entrou no bar e sozinho bebeu uma garrafa de cerveja.
![]() |
| Banner alusivo a Comunidade na parede do bar - Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/16. |
Eu, não quis beber por
estar atrás de um volante. Acredito que Humberto
e David também pelo mesmo motivo. Os
demais igualmente não quiseram por suas próprias razões. Preferimos comer o que
restou das nossas merendas.
![]() |
| A gata próximo de um pneu de veiculo do local - Fotografia: Alexandre Durso - 0603/16. |

Cadela mansa que
ficou junto ao grupo – Fotografia: Alexandre Durso – 06/03/165.
Descemos...
![]() |
| Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/2016. |
Xande cantava uma música
de rock ao lado de Mylene.
Contemplamos outra vez
o morro do Capim Melado.
Passamos pelo núcleo do
senhor Juarez.
Entramos nos carros.
A caminho de nossos lares...
No trajeto frenético do Rio de Janeiro conversei
com Eduardo sobre nossa inesquecível
experiência no Parque da Pedra Branca.
Disse-lhe meus pontos críticos
em relação à Comunidade.
Acredito que possuem
fortes elementos para superar suas dificuldades.
Ajuizei que é um belíssimo
local que deve ser preservado sobre todos os aspectos. Um pitoresco lugar para se visitar.
* * *
![]() |
| Fotografia: Alexandre Durso - 06/03/2016. |
Meus agradecimentos ao grupo de GEOGRAFIA:
David, Eduardo, Humberto, Mylene e Xande colegas que tornaram-se personagens reais deste texto.
Unidos vivenciamos experiências de aprendizados. Ensaios que alicerçam nossa deslumbrante caminhada nos espaços da GEOGRAFIA.
Maurício Matos Cunha
São
Gonçalo, RJ, 09 de março de 2016.





































Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirBelíssima e bem detalhada narrativa ! Parabéns Maurício ! Que venha a próxima Atividade de Campo do CAGEO-Nit !
ResponderExcluirObrigado. Espero ter a mesma oportunidade.
Excluir