domingo, 4 de outubro de 2015

Visita (Geografia) Ilha de Boa Viagem


Ilha da Boa Viagem

Ilha da Boa Viagem - Vista da extinta Praia Vermelha - Fotografia: Junior Rodrigues. - 03/10/2015.
Apropriadas realizações de tentações somente brotam,
quando o tempo nos faz deslembrar completamente.
Assim reflito sobre a pictural Ilha da Boa Viagem.
Situada na Baia de Guanabara, Niterói, Rio de Janeiro.

Quando moleque catava mexilhões e bons mergulhos.
Entretanto meu maior sonho era me impregnar na Ilha.
Espírito aventureiro queria desvendar seus segredos.
Havia as freiras, portões cerrados, paredões íngremes.
Não possuía local aberto para adentrar na bela Ilha.
Considerava as freiras mulheres carrancudas, maldosas,...
Deste modo abafei o sonho... Muitos anos se passaram.
A Ilha só um cartão postal da urbe, memória do passado.

Perdoem-me santas cenobitas, virginais noivas de Jesus.
Naquela época não imaginei que no futuro teria chance.
Sem incursão escondida, indevida, atrevida, perdida,...
Guardava-me a Geografia um imane prazer com clareza.

Estacionei o carro na Avenida Almirante Benjamin Sodré.
Antigamente Praia Vermelha. Hoje “morta” sobre o aterro
Lembro-me que nos dias quentes ficava lotada de banhistas.
Saudei pescador amador, rumei até a Praia da Boa Viagem.


Praia de Boa Viagem com sua pequena faixa de areia - No alto da elevação o Museu do MAC  projetado por Oscar Niemeyer -  No fundo (canto direito) a Praia de Icaraí - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Fui o segundo a chegar. Desci a rampa e passeei no areal.
A despeito da faixa pequena de areia é a Praia mais linda
de toda Baia de Guanabara. Sem dúvida cativa o visitante.
Retornei, sentei nas pedras “intrusas” postas pelo homem.
Apreciei a Ilha e um “obelisco” natural na bela paragem.


"Obelisco" apelidado pelo autor. - Na verdade um desprendimento da Ilha ocorrido a milhares de anos atrás. - fotografia Junior Rodrigues - 03/10/2015. 
O Grupo chegou: Cumprimentos, sorrisos, informalidade,...
Nova espera... Sempre existem aqueles que chegam depois.


Grupo de GEOGRAFIA com seus tutores, alunos e convidados - No canto à esquerda o autor do texto de camisa laranja - Fotografia: Xande; 03/10/2015.

Após o aguardo ETongaté acertou minudências para entrada.
Não é admitido nenhuma visita... 
Porém, temos permissão como estudantes de Geografia.
No local conhecemos o guardião da Ilha um senhor cortês.
Alertou-nos para evitarmos locais inseguros e certas escadas.
Transpomos o primeiro portão arranjado de tábuas de obra.


Grupo diante do primeiro portão - Fotografia: Xande - 03/10/2015. 
Cruzamos devagar a ponte. Um espetáculo de contemplação.
Todos se deliciavam com o cenário inteiramente fabuloso.

Ponte de acesso a Ilha da Boa Viagem - No lado esquerdo a Enseada de Icaraí  - Fotografia: Xande - 03/10/2015.


Final da ponte... Segundo portão, desta vez de ferro, é aberto.
Reflexões buscavam o passado e o presente ao mesmo tempo.
Confusão interior... Emoção... Sem palavras... Gratificação.
Placas atrai atenção: Horário das missas e Escoteiro do mar.
Os cultos católicos acabaram. Minhas freiras “más” se foram.
Escoteiros ainda estão presentes: 4º Grupo - “Gaviões do Mar”.
O simpático vigia senhor Juvenal tem suas Histórias da Ilha.
Até Geografia. Diz-me que o ponto alto da Ilha é 72 metros,
acima do nível do mar. O marco? Um poço.  Anúncio notável.


Segundo portão após travessia da ponte - As placas da Igreja e dos Escoteiros - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
ETongaté faz observação sobre o processo erosivo da Ilha
Intemperismo, fragmentação,... Composição: silte e argila.
Sávio nos brinda com uma “aula” acerca dos pássaros aquáticos.
Abordando os biguás pousados nos restolhos de um cais local.
Depois explica o bioma vegetal da Ilha e as "plantas invasoras".

Biguás pousados no que antes  era um pier da Ilha - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Leve subida e atingimos o terceiro portal mais preservado.
Parede grossa, cor alva, escada canto direito. Para onde?


Terceiro portão -  Fotografia: Xande - 03/10/2015.
É magnífica! A vista da cidade, praias, Museu do MAC,...
Nesta localidade percebo contrastes entre espaços urbanos.
Impossível alcançar fora da Ilha. Na rua da praia: edifícios
arquitetônicos análogos.  Morro acima: casas diferenciadas.


Caminho de subida - a vista é muito linda - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
O caminho principal é pavimentado de pedras, apontam:
Entradas, escadas desativadas tomadas por terras e matos.
Ninguém se atreve a adentrar. Mas tiram muitas fotografias.

Uma das entradas desativadas... Para onde? - Fotografia: Xande - 03/10/2015. 
Enfim atingimos a parte alta da Ilha onde há uma Igreja.
Antes um Forte construído em 1650 pelos portugueses.
Vê-se que restou da grossa mureta espaços dos canhões.
David e Sérgio dizem que eram canhões de "almas lisa".
Quer dizer que não possuíam raias no cilindro interior.
Nos filmes de pirata a cada tiro davam um coice para trás. 
Não restou nenhum. Para onde foram? Derretidos? Museus?...


Parte do Grupo tirando fotografias na frente da mureta onde ficavam os canhões - Observa-se plantas "invasoras" capins - No fundo a entrada da Baia de Guanabara onde apontavam os canhões. - Fotografia: XXX - 03/10/2015.


Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem - localizada no alto da Ilha - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
O estilo da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem é barroco. 
Está em mau estado de conservação, reserva memórias antigas.
Porque foi abandonada? Portas e janelas fechadas. Esquecida...
Há imagem de santos? Ecos de clássicos cantos gregorianos?
Dizeres na parede notificam que a edificação iniciou em 1734.


Placa na parede lateral da Igreja indicando o inicio da sua construção - Fotografia: Xande - 03/10/2015. 
A frente da igreja na direção da entrada Baia de Guanabara.
Abençoava os viajantes que iam rumo ao Oceano Atlântico.
Noto uma inconsideração. Total desrespeito pelo histórico.
Aberração de um imbecil que gravou na parede da Igreja:
Carolina e Wanderson. Certamente não propagou um amor.

A imagem está ampliada - No canto esquerdo a entrada da Baia de Guanabara,  onde está direcionada a frente da Igreja da Boa Viagem - Fotografia: Xande - 03/10/2015. 
No pátio da Igreja realça o poço. O marco dito pelo Juvenal.
Uma polêmica... Natural ou artificial? Cisterna? Poço de fato?
Eu e ETongaté definimos que é uma imitação de uma cacimba.
Mas Sérgio não se convenceu. Até contou que tem um poço
quintal da sua casa. Relatou até os solutos químicos da água.
A dimensão, composição geomorfológica da Ilha divergem.

"Poço" no pátio da Igreja - O piso, apesar de nenhum cuidado ainda guarda suas características originais. - Fotografia: Junior Rodrigues - 03/10/2015.
Não preciso mais dizer que qualquer local da Ilha oferece
cenários dignos de cartões postais. Simplesmente lindos!
Zona Sul de Niterói, Aterro da Praia Vermelha, Praias,...


Alguns locais de Niterói vistos da Ilha da Boa viagem: A esquerda (canto) a famosa Pedra de Itapuca - No centro a Pedra do Índio- No fundo a Praia de Icaraí. - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Até o Rio e visto de maneira diferente. Ângulos lindos:
Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Maciço da Tijuca, Centro,...

Alguns locais da Cidade do Rio de Janeiro, vistos da Ilha da Boa Viagem: Aeroporto Santos Dumont (frente) - Centro (edifícios altos à direita) - Pico da Tijuca (Elevação alta à esquerda)  - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
- Cadê a bandeira do Flamengo? - Xande me cobrou.
Desta vez deixei a bandeira para uma próxima oportunidade.
Tirou-se a tradicional fotografia com a bandeira brasileira.


Grupo posando diante da Igreja com sua fotografia tradicional. - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Aliás, não estava presente. Avaliava contornos da Igreja.
Rebocos do lado esquerdo que se desprenderam. Lamentável.
O abandono e visível por toda parte. As muretas rachadas.

Trecho de reboco desaprendido da Igreja da Boa Viagem - Fotografia: Xande - 03/10/2015. 
No pátio Sávio descreve sobre a enseada de Icaraí no passado
Índios que habitavam e as baleias que criavam seus filhotes.
A Pedra de Itapuca que significa em tupi-guarani: “pedra furada”.
Pois havia uma passagem natural aonde os índios se locomoviam.
Itapuca era uma formação arredondada, mas dinamitaram o local.
Abriu caminho para atual Avenida Engenheiro Martim Romero.
Destruiu a originalidade. Depois Itapuca perdeu o status de marco.
Hoje o Museu do MAC conduz a honra de símbolo de Niterói.

Sérgio aproveitou o momento e falou sobre agressões ambientais.
Uma construção abandonada na área de preservação de mata,
No morro acima do bairro de São Francisco construído na marra.
Plena época da ditadura. Hoje é uma cicatriz dentro da vegetação.
Essas perspectivas: históricas e ambientais notamos do alto da Ilha.

A Ilha é pequena mais há muito que se ver. Detalhes curiosos.
Alguns fomentam debates, outros indignações, contemplações,...
Percebo atrás da Igreja um espaço aberto, terreno inclinado.
Existem cinco pés de goiabeiras. Frutos?... Nenhuma goiaba. 
Porém está pavimentado de pedras o que seria?
Uma escada... Desço. 
No lado esquerdo uma entrada, construção varrida. Um nicho?
Tomado pelo mato. Exploro acesso difícil. Um oratório externo?
Ou parte do antigo forte? Um enigma que pertence ao passado?
Abandono o local... Sigo em frente...

Pátio atrás da Igreja - Pés de goiabas - Entrada a direita o suposto nicho descoberto pelo autor. - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Chego até uma construção bem abaixo da Igreja. O que era?
A casa paroquial? Os tacos, janelas e portas foram removidos.


"Casa paroquial?" - Fotografia: Xande - 03/10/2015. 
Agora uma “varanda”. Deparo-me com uma mesa bem antiga.
Ao lado uma porta laqueada, janela com grades de vergalhões.
Sobre a porta o lema conhecido dos escoteiros: “Sempre Alerta”
Nos vãos das grades de improviso se vê móveis abandonados.
Faço anotações nesta mesa do passado. O Grupo chega...
Ana Paula do lado de fora comenta:
- Parece um filme de terror.
David entra e assim que lê o lema diz:
- Isso é um paradoxo. “Sempre alerta”. Não tem ninguém...

Átrio da "casa paroquial" - A janela interior com "grades" improvisadas de vergalhões - a antiga mesa -  sobre a porta o lema dos escoteiros: "Sempre Alerta" - David inspecionando o local. - Fotografia: Xande  - 03/10/2015.
Continuamos explorando... Passamos por um banheiro fechado,
desocupado. O chuveiro é elétrico, mas está com fios cortados.
Uma lâmpada moderna fluorescente... Será que funciona?
Atingimos o fundo do prédio. Um pequeno pátio bem aprazível.
Vestido de baixo capim, certamente era um gramado cuidado.
Chamo Sávio para distinguir a grama que se tornou selvagem
Ele não consegue definir. Explico que este tipo de capim é usado
na forração de transportes de frutas delicadas em caixotes.
Mônica afirma ser capim limão. Digo-lhe que são bem diferentes.
Somos Geógrafos ou biólogos? Na verdade este tipo de atividade
nos arrasta a outras linhas de interpretação e conhecimentos.


David sentado na escada diante da porta de acesso no fundo do Prédio - No solo a grama que se tornou selvagem pela falta de cuidados. - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Ouço ruídos horríveis de motores de carros. Misturam-se com sons
aconchegantes das ondas que morrem nas areias da Praia.


Vista do Pátio atrás do Prédio da Ilha - No fundo a Ponte Rio-Niterói - a direita o local aterrado onde era a antiga Praia Vermelha - No canto (direito) os Prédios da Universidade Federal Fluminense - UFF - Xande num momento de descontração - Em meia foto o autor compenetrado com suas anotações. - Fotografia: XXX - 03/10/2015

Outra vista do mesmo Pátio (fotografia  acima) - Embaixo a ponte de acesso a Ilha e parte da Praia da Boa Viagem - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Saímos do pátio contornando o prédio...
Descubro um “quadro” de azulejos? Novo debate? O que é de fato?
Retrata uma caravela. Todos opinam. Xande é taxativo: Óculo!
Eu não sabia e ninguém contestou afinal Xande é um pintor.

O autor examinado os azulejos do óculo - Fotografia; Xande - 03/10/2015.
Óculo - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Encontramos o segundo poço. Novamente não acredito ser natural.
A pedologia do terreno é silte e o efluente sofre efeito da gravidade.
Firmemente acredito que é cimentado, apesar da admirável cópia.

Segundo poço - Xande examinando se estava com água. - Fotografia: XXX - 03/10/2015.
Retornamos para o pátio da Igreja...
No local Camila e ETongaté convocam todos os alunos de Geografia
Alguns ficam afastados na sombra da Igreja, fugindo do forte sol.
Camila esclarece nossa posição com uma carta geográfica.
Define elementos básicos no mapa e outros mais técnicos:
Declinação magnética, norte de quadrícula, coordenadas geográficas,
Coordenadas UTM,...


Carta cartográfica da tutora Camila - Localização da Ilha de Boa viagem - Fotografia: Xande - 03/10/2015.  

Após a explanação cartográfica dúvidas sobre biodiversidade local.
Plantas invasoras ajudam a conservar a Ilha contra o intemperismo?
ETongate também deu sólidos esclarecimentos sobre o ativo de campo.
A palavra foi aberta a todos os participantes: Leandro esclareceu
aspectos importantes sobre a metodologia de estudo da Geografia.
O MAC outra vez se tornou assunto: “Disco voador”. Como foi inspirado?
Ana Paula se arriscou e respondeu:
- Uma flor.
Ouviu a seguinte correção:
- Oscar Niemayer estava bebendo numa taça. Portanto... É uma Taça.
Leandro nos chama atenção para o MAC inserido na paisagem local.
É parte da paisagem urbana.
Mas... Reflito:
Independente de ser “taça”, “flor”, “disco voador”,... É circular.
Como toda a paisagem natural local, excluindo a paisagem urbana.

Foto ampliada do Museu do MAC - visto da Ilha da Boa Viagem - Fotografia Xande: 03/10/2015.
Hora de irmos embora...
Observo tocas de formigas saúvas. Os grãos de terras que retiram
do fundo me ajuda a entender a real geomorfologia da Ilha.
Debato a descoberta com ETongaté e Leandro. Concordam.

O Grupo desce rumo à ponte...  
Todos carregam um sentimento triste de ver um local tão lindo
Inteiramente descuidado. Um potencial turístico inestimável.


No canto acima a esquerda o Grupo retornando para a ponte - Fotografia: Xande - 03/10/2015.
Na saída Juvenal abre o segundo portão. Cobra-me a altitude da Ilha.
Respondo. Ele sorri. Diz que foi bicampeão de futebol pela Marinha.
Todos cumprimentam o velho marinheiro que se preocupa com a Ilha.

O vigia da Ilha, senhor Juvenal (velho marinheiro) óculos escuros e boné - Fotografia: XXX - 03/10/2015.
Jovens escoteiros chegam. Com seus apetrechos. Trocamos palavras.

Enquanto saíamos... Chegavam os jovens Escoteiros do Mar  - Fotografia: Xande - 03//10/2015.
Atravesso a ponte... Embaixo: areia, águas, banhistas,... Atrás?...
A misteriosa Ilha da Boa viagem... Para mim? Um sonho realizado.

Vista ampliada da Ilha da Boa Viagem  - A Igreja no alto e o prédio um pouco abaixo. - Fotografia tirada nas imediações da Praia de Gragoatá  - na frente o Forte que empresta o nome a Praia - Foto: Xande - 03/10/2015.

autor do texto: Maurício Matos Cunha



Trabalho de Campo na Ilha da Boa viagem - UERJ - realizado no dia 03/10/2015.

Tutores: ETongaté e Camila.







   



 


     

    








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